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20 de Julho de 2008 - 15h51 - Última modificação em 20 de Julho de 2008 - 19h10


Moradores da Marambaia defendem permanência da Marinha

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

 
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Repórter Vladimir Platonow
Ilha da Marambaia (RJ) - Moradora, Ignes Rosa, de 92 anos, fala sobre a existência de quilombo no local
Ilha da Marambaia (RJ) - Moradora, Ignes Rosa, de 92 anos, fala sobre a existência de quilombo no local
Rio de Janeiro - O debate sobre a demarcação de uma área quilombola na Ilha da Marambaia expõe a delicada relação da Marinha e dos moradores, a maioria descendente de escravos.

Embora lideranças comunitárias defendam o reconhecimento de parte da ilha como quilombo, boa parte dos moradores reconhece o trabalho dos militares e defende sua presença.

Distante cerca de uma hora do continente, a comunidade depende do transporte gratuito oferecido em um barco da Marinha, que também oferece serviço de saúde e fornece luz elétrica através de um gerador a óleo para parte da ilha, incluindo a escola.

No posto de saúde a consulta é de graça e praticamente não há filas. Para a aposentada Lúcia Alves Soares, 68 anos, o serviço é essencial: “Se a gente tem uma dor, é aqui que a gente se socorre”. Ela diz que nasceu na ilha, assim como seus pais e avós, e lembra que, ainda criança, ouvia falar na existência de um quilombo: “Os meus pais falavam que tinha”.

Ramiro Benedito Santos, de 77 anos, defende a permanência da Marinha na região: “Desde que a Marinha chegou aqui, melhorou muito. Se ela saísse, tudo ia piorar”. Nascido em Marambaia, o pescador aposentado conta que seus avós eram escravos, naturais da própria ilha. Porém, ele diz não se lembrar de ter ouvido falar sobre a existência de quilombos na região.

A falta de memória sobre a existência de um quilombo no lugar também é um problema para Ignes Rosa, de 92 anos, que conta ter sido cozinheira do ex-presidente Getúlio Vargas por duas vezes. Ela lembra que o avô nasceu na ilha, mas que a avó veio da África.

Já os jovens da ilha destacam o desafio de achar trabalho e educação mais qualificados. Aos 20 anos de idade, cursando o primeiro ano do ensino médio, Rafael Guerra Saturnino, filho da líder comunitária Vânia Guerra, sonha em terminar a escola e fazer faculdade. Até este ano, a única escola da ilha só oferecia até o nível fundamental, mas agora passou a contar com um supletivo noturno de nível médio.

"Aqui não tem muita opção, além da pescaria. Além disso, todo mundo tem de morar agarrado. Se eu casar, tenho de fazer um puxado na casa da minha mãe, igual fez a minha irmã. Se saísse a titulação, ia ser bem melhor. É difícil, mas a gente vai lutando devagarzinho”, diz ele, referindo-se à proibição imposta pela Marinha de que sejam erguidas novas casas no local. 


 

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