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Repórter Vladimir Platonow
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Ilha da Marambaia (RJ) - Moradora, Ignes Rosa, de 92 anos, fala sobre a existência de quilombo no local
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Rio de Janeiro - O debate sobre a demarcação de uma área quilombola na Ilha da Marambaia
expõe a delicada relação da Marinha e dos moradores, a maioria descendente de
escravos.
Embora lideranças comunitárias defendam o reconhecimento de parte da ilha
como quilombo, boa parte dos moradores reconhece o trabalho dos militares e defende sua presença.
Distante cerca de uma hora do continente, a comunidade depende do transporte
gratuito oferecido em um barco da Marinha, que também oferece serviço de saúde
e fornece luz elétrica através de um gerador a óleo para parte da ilha,
incluindo a escola.
No posto de saúde a consulta é de graça e praticamente não há filas. Para a
aposentada Lúcia Alves Soares, 68 anos, o serviço é essencial: “Se a gente tem
uma dor, é aqui que a gente se socorre”. Ela diz que nasceu na ilha, assim como
seus pais e avós, e lembra que, ainda criança, ouvia falar na existência de um
quilombo: “Os meus pais falavam que tinha”.
Ramiro Benedito Santos, de 77 anos, defende a permanência da Marinha na região:
“Desde que a Marinha chegou aqui, melhorou muito. Se ela saísse, tudo ia piorar”.
Nascido em Marambaia, o pescador aposentado conta que seus avós eram escravos,
naturais da própria ilha. Porém, ele diz não se lembrar de ter ouvido falar
sobre a existência de quilombos na região.
A falta de memória sobre a existência de um quilombo no lugar também é um
problema para Ignes Rosa, de 92 anos, que conta ter sido cozinheira do
ex-presidente Getúlio Vargas por duas vezes. Ela lembra que o avô nasceu na
ilha, mas que a avó veio da África.
Já os jovens da ilha destacam o desafio de achar trabalho e educação mais
qualificados. Aos 20 anos de idade, cursando o primeiro ano do ensino médio,
Rafael Guerra Saturnino, filho da líder comunitária Vânia Guerra, sonha em
terminar a escola e fazer faculdade. Até este ano, a única escola da ilha só
oferecia até o nível fundamental, mas agora passou a contar com um supletivo
noturno de nível médio.
"Aqui não tem muita opção, além da pescaria. Além
disso, todo mundo tem de morar agarrado. Se eu casar, tenho de fazer um puxado
na casa da minha mãe, igual fez a minha irmã. Se saísse a titulação, ia ser bem
melhor. É difícil, mas a gente vai lutando devagarzinho”, diz ele, referindo-se
à proibição imposta pela Marinha de que sejam erguidas novas casas no local.
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