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Brasília - O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (19) em Bogotá, capital da
Colômbia, que espera que os países pobres tenham “nova chance no cenário
internacional” com o êxito da Rodada de Doha. Ele também voltou a defender a
redução dos subsídios agrícolas nos países ricos para facilitar a entrada de
nações subdesenvolvidas e emergentes nos mercados norte-americano e europeu.
As informações são da BBC Brasil. Segundo a agência, Lula disse não entender
porque os Estados Unidos querem aumentar os subsídios que pagam a seus
produtores de US$8 milhões para US$13 milhões.
“Eles [países ricos] querem que nós flexibilizemos sua entrada na nossa
produção industrial. Nós até podemos flexibilizar, mas isso não pode afetar o
nosso desenvolvimento”, disse o presidente. O posicionamento é o mesmo do
chanceler Celso Amorim que pediu, durante as negociações, mais ambição dos
países em desenvolvimento que compõem o G-20 e outros blocos.
Em encontro com o presidente colombiano Álvaro Uribe e empresários, Lula
destacou que “o êxito da rodada é fundamental para o desenvolvimento dos países
e para evitar uma recaída protecionista de parte de alguns países desenvolvidos”.
O presidente criticou ainda a alta do petróleo no mercado internacional, o que,
segundo ele, representou um incremento de 30% nos custos da produção agrícola.
Ele defendeu também os biocombustíveis como trunfo do país para enfrentar os
desafios deste momento. Sem detalhar como, ele mostrou a intenção de firmar
parceria com a Colômbia sobre “formas alternativas de energia”.
“Eu posso mostrar à Colômbia a vantagem dos biocombustíveis em relação à renda,
à independência [do petróleo] e à preservação ambiental”, disse.
Uribe
respondeu que “o Brasil ensinou a Colômbia a produzir etanol” e que hoje o seu
país produz 2 milhões de litros de etanol e biodiesel por dia.
O presidente brasileiro também aproveitou o momento para criticar as leis de
imigração européias. “Os europeus são como uma família que quando fica bem de
vida não quer receber seus parentes pobres. A única coisa que queremos exigir é
que o tratamento seja o mesmo que foi dado aos europeus quando eles emigraram para
a América Latina em um momento em que eles eram pobres”, afirmou.
Depois do encontro com os empresários, Lula foi para a residência oficial de
Uribe, onde farão encontro bilateral. Ele fica na Colômbia até domingo (20),
quando participa de ato que comemora a independência do país – o governo local
estima que 1,05 mil municípios farão manifestações para comemorar e pedir a
libertação de todos os reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia (Farc).
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