Em Genebra,
na Suíça, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, criticou novamente
a posição dos países desenvolvidos nas negociações agrícolas da Rodada Doha.
Ele considera que o texto da agricultura ainda tem muitos pontos em aberto que
precisam ser discutidos pelos países em desenvolvimento que formam o bloco G-20, grupo que reúne os principais
países ricos e emergentes do planeta e que tem reunião ministerial hoje (19).
“Os países desenvolvidos dizem que já fizeram muitas concessões e que, graças a
isso, as negociações agrícolas estão praticamente concluídas. A realidade é que
o texto de agricultura acabou incorporando todo tipo de exceção e privilégio
para acomodar as alegadas dificuldades dos países desenvolvidos, e o resultado
é que muitos pontos estão em aberto”, defendeu.
O ministro disse que determinados países e produtos recebem tratamento
específico no texto das negociações e enumerou alguns pontos que considera que
estão em aberto, como a redução dos subsídios ao algodão:
“Os países ricos têm usado uma lógica de 'dois pesos e duas medidas'. Quando
falam em cortes dos seus subsídios em agricultura, referem-se a valores
'consolidados' na OMC [Organização Mundial do Comércio], e os cortes
propostos não prevêem, na prática, redução alguma dos subsídios hoje
efetivamente praticados. Já quando criticam os países em desenvolvimento em
Nama [comércio de produtos agrícolas e de bens não-agrícolas], só levam
em conta reduções de tarifas aplicadas, e não das tarifas consolidadas na OMC”,
criticou.
Amorim pediu aos países do G-20, que considera como “principais atores” da
Rodada de Doha, assim como a outros blocos de países em desenvolvimento, que sejam
ambiciosos ao negociar, mesmo que saibam de suas fragilidades políticas.
“Precisamos ser ambiciosos, mas também realistas. Estou preparado para levar em
conta as limitações políticas que os países têm na área agrícola. Mas eles
precisam saber que isso tem conseqüências em outras áreas. Não podemos chegar a
um resultado desequilibrado. Como eu já disse, um carro usado pode ser útil. O
que não se deve é pagar o preço de um carro novo por um usado”, comparou.