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Rio de Janeiro - O caráter estratégico é o motivo defendido pela Marinha
para não ceder aproximadamente um quinto da Ilha da Marambaia aos quilombolas.
Localizada na Baía de Sepetiba, área que abriga os principais projetos
econômicos do estado, como Porto de Sepetiba e Companhia Siderúrgica do
Atlântico, a ilha também está próxima das usinas nucleares de Angra dos Reis.
No local há, inclusive, a possibilidade de que se construa uma futura base de
submarinos nucleares. De acordo com o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros
Navais, almirante de esquadra Álvaro Augusto Dias Monteiro, as novas gerações de submarinos –
nucleares ou convencionais – são consideradas
decisivas para a segurança nacional e já não podem mais ficar fundeadas na
antiga base da Ilha do Mocanguê, próximo à Ponte Rio-Niterói, na Baía de
Guanabara.
“Desde que isso [submarino nuclear] seja confirmado
como projeto do estado brasileiro, a Baía de Sepetiba é um dos locais
adequados à instalação de uma base de submarinos, nucleares ou mesmo
convencionais de maior porte. A nossa base atual é dentro da Baía de
Guanabara e futuramente pode não ser mais conveniente a permanência de
todos esses barcos ali. Para nós, Marambaia é de uma estratégia
fundamental”, explicou o militar.
Entre os motivos que tornam a base do Mocanguê
obsoleta está a dificuldade de movimentação e saída rápida da Baía de
Guanabara, que possui um tráfego intenso de embarcações, além da
profundidade menor, tornando um submarino mais vulnerável em caso
de ataque.
Segundo o almirante, Sepetiba tem um canal natural
com 50 metros de profundidade, o que facilita submersão e movimentação
imediata para alto-mar. “Marambaia domina a entrada desse canal, então
é preciso preservá-la para que ela possa cumprir esse papel”, destacou
Monteiro.
Para ele, se não forem tomados cuidados, a ilha pode
atrair um grande número de novos moradores e sofrer um rápido processo
de favelização.
“No caso da Ilha Grande e Angra dos Reis, a pressão
demográfica foi muito grande e o Poder Público não foi competente para
impedir a degradação. Na Marambaia, o ambiente está preservado, tanto
pela Marinha quanto pelos moradores. Temo que, se isso for titulado de
maneira imprecisa, a comunidade não tenha poder político suficiente
para impedir a explosão demográfica”, alertou o militar.
A líder comunitária Vânia Guerra afirma que a
demarcação da área como quilombo em nada atrapalharia os planos da
Marinha em construir na região uma base de submarinos. “Nós sempre
vivemos ali, mesmo antes da Marinha chegar e nunca atrapalhamos em
nada.”
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