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Curitiba - O secretário de Segurança
Pública do Paraná, Luiz Fernando
Delazari, determinou hoje (21) a apuração rigorosa do incêndio de três casas de uma comundiade quilombola, provocado por um grupo de homens encapuzados. O incêndio aconteceu na última
sexta-feira (18), no município de Doutor Ulysses, no Vale do
Ribeira, a 170 quilômetros de Curitiba, o que deixou tenso
o clima no município. Vinte pessoas, que estavam no
local, refugiaram-se dentro da mata, onde ficaram escondidas durante
mais de cinco horas.
Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, foi aberta sindicância e o secretário enviou um capitão da
polícia para a cidade de Doutor Ulysses, para apurar o caso. Delazari adiantou que, se for
comprovada a denúncia de participação de militares ou qualquer agressão por parte de
policiais, o que considerou “inaceitável”, os responsáveis
serão punidos.
Segundo
o advogado da comunidade, Pedro Luiz Mariozi, policiais militares
estiveram no local e foram embora sem colher nenhum depoimento ou
efetuar qualquer prisão. Ele disse que a área onde as famílias quilombolas vivem
possui aproximadamente 500 alqueires, mas o processo de titularidade,
que tramita no Ministério do Desenvolvimento Agrário,
considera uma área ainda maior, de 4 mil alqueires, como pertencente à comunidade quilobola.
Essa
propriedade está sendo disputada pela madeireira Tempo
Florestal S/A e pelas irmãs Germene e Marjorie Mallmann, que
ingressaram com ação de reintegração de
posse contra os membros da comunidade quilombola. “Os quilombolas
estão lá desde 1854, inclusive é onde está
o cemitério deles”, disse o advogado dos quilombolas. Os madeireiros brigam pela retirada e
exploração de árvores de pinus existentes no
local.
O
deputado federal Dr.
Rosinha (PT-PR), integrante da Frente Parlamentar da Terra, denunciou que “a PM do Paraná mostra-se
conivente com a violência e com a contratação de
milícias armadas, por fazendeiros e madeireiros, que disputam a
posse de terra com membros da comunidade quilombola da região
de Varzeão, em Doutor Ulysses”. O advofadoMariozi disse que, na última terça-feira (15), policiais
militares já haviam acompanhado a notificação
de um mandado de reintegração de posse do local,
acompanhados por três veículos com seguranças
particulares, ocasião em que efetuaram disparos de pistola e
ameaçaram os moradores. Segundo ele, projéteis e três
cápsulas deflagradas foram encaminhadas à Secretaria de
Segurança, para análise
O advogado Mariozi está hoje em Curitiba, acompanhado de
representantes da comunidade, protocolando medidas judiciais e
denunciando a grupos de defesa dos direitos humanos a situação
na região. “Já entramos com representação
na Secretaria de Segurança Pública por abuso de
autoridades policialis e protocolamos junto ao Tribunal de Justiça
uma ação para tentarmos reverter a reintegração
de posse da área”, disse o advogado da comunidade quilombola.
O
quilombola Laélcio de Souza informou, por intermédio do advogado, que ninguém ficou
ferido porque, quando perceberam o fogo, ele e
outros 19 moradores da região fugiram para o mato. Ele disse que seu irmão
também viu quando quatro pessoas encapuzadas colocavam fogo
nas casas.
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