A Agência Espacial Brasileira (AEB) vai testar, no dia 6 de agosto, em São José dos Campos,
o motor do foguete brasileiro em desenvolvimento para lançar satélites, conhecido como VLS-1B. Na preparação para a retomada do projeto, a agência sustenta terem sido adotadas
providências técnicas de reforço à
segurança. A preocupação da AEB é prevenir acidentes, como o ocorrido em
2003, na Base de Alcântara (MA), quando 21 técnicos do Programa Espacial Brasileiro morreram durante testes, na explosão começada no motor de um foguete, na véspera do lançamento.
“Será um
teste de bancada, que não faz nenhuma movimentação,
a não ser uma simulação do tiro desse motor.
Permitirá que nós verifiquemos a quantas andam os
aperfeiçoamentos com vistas ao futuro lançamento desse
foguete em bases reais, que deve se dar em 2012. Vários
requisitos de segurança foram trabalhados, com o fim de atingir
melhor performance e uma atualização do escopo técnico
do projeto”, afirmou à Agência Brasil o presidente da
AEB, Carlos Ganem.
Na supervisão
das adequações técnicas está o
coordenador de veículos lançados da AEB, Ulisses Côrtes
Oliveira. Ele informou que o projeto do VLS-1B passa por uma
“revisão crítica” de todos os seus principais
componentes. “A parte de proteção térmica
estrá sendo testada. Outra alteração foi o
aumento do espaço vazio para a expansão dos gases e a
mudança mais significativa no sistema de ignição,
dispositivo mecânico de segurança, que evita que a
energia transite por circuitos de forma indesejada”, explicou
Oliveira.
Todo o custo
operacional que envolve a realização do teste do motor
é estimado em US$ 1 milhão. Segundo o presidente da
AEB, um valor compatível com o alvo tecnológico mirado
pelo projeto do lançador de satélites.
“Os números em um programa espacial surpreendem pela magnitude, mas surpreendentes
também são os benefícios que se gera para toda
a sociedade brasileira. Não há mais programas de
telecomunicações que não se possam apoiar em
satélites; você não faz monitoramento convincente
de tráfego aéreo sem satélites, não se
faz comunicações diplomáticas e governamentais
com segurança sem satélites”, argumentou Ganem.
O cronograma do governo
prevê dois laçamentos experimentais antes do
procedimento completo e oficial estimado para 2012. Em 2010 seria
lançada um primeira versão do VLS-1B sem carga,
parcialmente abastecida, e no ano seguinte uma segunda versão,
com tanques cheios. “É um passo importante para testar, além
dos motores, toda a geometria da rede elétrica e das torres”,
ressaltou o coordenador Oliveira.