Índios guaranis da tribo Tekoá Itarypu
começaram a reconstruir hoje (21) as ocas que
foram destruídas em um incêndio na aldeia,
em Camboinhas, região oceânica de Niterói, na
última sexta-feira (18). Enquanto as novas moradias não
ficam prontas, o grupo de 36 pessoas está alojado em
um galpão.
Na hora do incêndio, havia
poucos índios no local. Mesmo assim, um homem ficou
ferido, possivelmente ao tentar retirar equipamentos e móveis das ocas. A Polícia Federal não confirmou se vai instaurar inquérito para investigar as causas do incêndio.
Existem suspeitas de que o incêndio tenha sido criminoso, já
que, nas últimas semanas, os índios receberam duas
ameaças de um grupo de homens armados que diziam representar
os donos do local.
Para o
advogado do Centro de Etno-conhecimento Sócio Cultural e
Ambiental Caueré, Arão da Providência, o
incêndio foi provocado por donos de duas empresas do ramo
imobiliário que não desejam que o assentamento continue
no bairro. Arão da Providência disse que os policiais já
identificaram o carro usado pelos quatro homens que, segundo ele, puseram fogo na
aldeia.
As ocas foram construídas em março, no Sítio Arqueológico de Itaipu, onde os índios acreditam que exista um cemitério de seus ancestrais. A presença deles provocou polêmica entre os moradores do bairro, considerado nobre, que temiam ter seus imóveis desvalorizados com a existência de uma aldeia indígena.