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22 de Julho de 2008 - 17h28 - Última modificação em 22 de Julho de 2008 - 18h23


Não há "bordoada" melhor contra o desmatamento do que multa pesada, diz Lula

Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O governo vai aplicar multas pesadas em quem insistir no desmatamento de florestas, seja para expandir fronteiras agrícola e pecuária ou para a exploração de madeira. O recado foi dado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na inauguração de um centro de triagem de animais silvestres, em Brasília.

"Quem for picareta e achar que pode enganar todo mundo durante todo o tempo, nós temos que dar uma bordoada, e não tem bordoada melhor do que multa pesada e do que apreender as coisas e vender", afirmou o presidente.

De acordo com o presidente, se não for desta maneira não há como controlar o processo de desmatamento no país.

Lula afirmou que há pessoas que desmatam sem qualquer necessidade, quando poderiam seguir os mecanismos oficiais de liberação para exploração de florestas.

"Tem gente que desmata porque quer desmatar, porque tem uma consciência predadora", afirmou.

O presidente disse que o país chegou em um momento que só campanhas preventivas já não resolvem o problema do desmatamento. Ele fez uma comparação da atual situação ambiental com as campanhas preventivas realizadas durante anos para tentar prevenir acidentes de trânsito por causa do consumo de bebida alcoólica, e reconheceu que a campanha do "se dirigir não beba, se beber não dirija", falhou.

"Quanto mais a gente falava, é que nem criança pequenininha, quanto mais a gente falar não faz, aí ela faz".

O presidente Lula defendeu a Lei Seca editada recentemente, que pune com rigor os motoristas flagrados por dirigir com qualquer quantidade de álcool no organismo.

"Se não for assim, as pessoas não respeitam. Esse é o dado concreto", afirmou.

O presidente alertou os exportadores do país para trabalharem com a consciência de que a preservação ambiental, ao contrário de ser um entrave aos seus negócios, tem que ser a marca do diferencial do produto brasileiro.

"Se nós não cuidarmos, daqui a pouco isso vai virar contra nós. Daqui a pouco você tem sueco, holandês, alemão e italiano dizendo não comprem a soja do Brasil porque vem da Amazônia, não comprem biodiesel do Brasil porque vem da Amazônia, não comprem carne do Brasil porque vem da Amazônia", destacou o presidente.

De acordo com Lula, os próprios brasileiros estão "dando um tiro no pé" ao relegar para segundo plano a questão ambiental.

O presidente também mandou um recado aos burocratas do governo federal, que, segundo ele, têm o raciocínio de que tudo pode ser feito por Brasília. "Ou o governo federal se reeduca para fazer parcerias com seus entes federados, com prefeitos e estados, ou é humanamente impossível achar que daqui de Brasília, de trás de uma mesa, a gente consegue fazer as coisas acontecerem no que diz respeito a questão ambiental", alertou.





 


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