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Brasília - O governo vai aplicar
multas pesadas em quem insistir no desmatamento de florestas, seja
para expandir fronteiras agrícola e pecuária ou para
a exploração de madeira. O recado foi dado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na inauguração
de um centro de triagem de animais silvestres, em Brasília.
"Quem for picareta
e achar que pode enganar todo mundo durante todo o tempo, nós
temos que dar uma bordoada, e não tem bordoada melhor do que
multa pesada e do que apreender as coisas e vender", afirmou o
presidente.
De acordo com o
presidente, se não for desta maneira não há como
controlar o processo de desmatamento no país.
Lula afirmou que há
pessoas que desmatam sem qualquer necessidade, quando poderiam seguir
os mecanismos oficiais de liberação para exploração
de florestas.
"Tem gente que
desmata porque quer desmatar, porque tem uma consciência
predadora", afirmou.
O presidente disse que
o país chegou em um momento que só campanhas
preventivas já não resolvem o problema do desmatamento.
Ele fez uma comparação da atual situação
ambiental com as campanhas preventivas realizadas durante anos para
tentar prevenir acidentes de trânsito por causa do consumo de
bebida alcoólica, e reconheceu que a campanha do "se
dirigir não beba, se beber não dirija", falhou.
"Quanto mais a
gente falava, é que nem criança pequenininha, quanto
mais a gente falar não faz, aí ela faz".
O presidente Lula
defendeu a Lei Seca editada recentemente, que pune com rigor os
motoristas flagrados por dirigir com qualquer quantidade de álcool
no organismo.
"Se não for
assim, as pessoas não respeitam. Esse é o dado
concreto", afirmou.
O presidente alertou os
exportadores do país para trabalharem com a consciência
de que a preservação ambiental, ao contrário de
ser um entrave aos seus negócios, tem que ser a marca do
diferencial do produto brasileiro.
"Se nós não
cuidarmos, daqui a pouco isso vai virar contra nós. Daqui a
pouco você tem sueco, holandês, alemão e italiano dizendo não comprem a soja do Brasil porque vem da
Amazônia, não comprem biodiesel do Brasil porque vem da
Amazônia, não comprem carne do Brasil porque vem da
Amazônia", destacou o presidente.
De acordo com Lula, os
próprios brasileiros estão "dando um tiro no pé"
ao relegar para segundo plano a questão ambiental.
O presidente também
mandou um recado aos burocratas do governo federal, que, segundo ele,
têm o raciocínio de que tudo pode ser feito por
Brasília. "Ou o governo federal se reeduca para fazer
parcerias com seus entes federados, com prefeitos e estados, ou é
humanamente impossível achar que daqui de Brasília, de
trás de uma mesa, a gente consegue fazer as coisas acontecerem
no que diz respeito a questão ambiental", alertou.
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