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Brasília - Governadores
dos nove estados da Região Nordeste pretendem apresentar,
quinta e sexta-feira próximas (24 e 25), em Teresina, ao
ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, propostas para melhorar o
acesso dos estados e municípios aos recursos destinados a
políticas públicas.
Hoje
(22), ao participar do 6º Congresso Internacional Brasil
Competitivo, em Brasília, o governador de Pernambuco, Eduardo
Campos, apontou dificuldades para obtenção de
financiamentos do governo federal, causadas, segundo ele,
principalmente pela “burocratização da gestão”.
“É necessário
fazermos esse debate e, quem sabe, termos uma legislação
que possa corrigir essa situação. Muitas vezes, o
governador se elege e tem seis meses para fazer um diagnóstico
sobre o que encontrou. Depois, ele começa a desenhar seus
projetos executivos, que não se encontram na prateleira, e a
correr atrás de licença ambiental e de licitação.
Aí vem a Lei Eleitoral, que diz que não pode haver
[liberação de} recursos no ano eleitoral. Quando
passa a eleição é que vem, na prática, o
último ano de gestão, porque no outro ano já é
ano eleitoral de novo”, reclamou Campos.
As propostas terão o objetivo
de melhorar a relação dos estados com a União.
De acordo com o governador, conta-se atualmente com uma estrutura
cheia de entraves que aumentam os custos dos governos e emperram a
aplicação dos recursos nas áreas. “Precisamos
reformular a relação federativa. Ela precisa ser menos
burocratizada. A estrutura hoje é cheia de entraves,
certidões, escrituras, licenciamentos e carimbos das
assinaturas dos processos intermináveis dentro dos bancos
oficiais.”
No encontro de hoje em Brasília,
Campos apresentou números obtidos com a melhoria da gestão
em seu estado depois de 2007. Segundo ele, a adoção do
sistema de gestão permitiu que Pernambuco registrasse
crescimento econômico geral de 11,7%. Neste ano, a receita do
estado marcou R$ 321 milhões até maio, um percentual de
19% acima da meta fixada em seu plano de gestão. Com isso,
acrescentou o governador, foi possível investir neste ano 30%
a mais do que em 2007 nas áreas mais problemáticas em
Pernambuco, que são a educação, a saúde e
a segurança pública.
Já o secretário de
Gestão do Ministério do Planejamento, Marcelo Moraes,
que representou a pasta no congresso, disse que o Estado brasileiro
tem avançado no sentido de adotar um modelo democrático
descentralizado. No entanto, Moraes admitiu que, por isso, o governo
federal passou a ter atribuições crescentes nas áreas
de coordenação, articulação e definição
de diretrizes “com funções de maior inteligência
e menos ação operacional”.
Ele disse que os estados e municípios
estão “cada vez mais à frente na execução
de políticas públicas”, principalmente nos setores da
educação, saúde e assistência social. “É
necessário buscar o fortalecimento das capacidades
institucionais dos estados e municípios, particularmente os
cerca de 75% que têm população igual ou inferior
a 20 mil habitantes.”.
Moraes ressaltou ainda a necessidade
de profissionalizar a administração, dar mais
transparência e usar tecnologias de gestão nos
municípios e estados Para ele, é preciso implantar o
modelo de gestão por resultados, simplificação e
desburocratização administrativa e adotar técnicas
de planejamento territorial, ou seja, divisão por regiões
para melhor administrar.
O secretário destacou ações
do Ministério do Planejamento e Gestão voltadas para os
municípios e estados como as ferramentas do programa
Gespública. Essas ferramentas se encontram no ministério
à disposição dos municípios. São o
Modelo de Auto-Avaliação da Gestão, o Guia de
Simplificação Administrativa, a Carta de Serviços,
as Metodologias de Pesquisas de Satisfação e a entrega
anual do Prêmio Nacional da Gestão Pública.
“Temos ainda o Programa Brasil Municípios e o Prodev,
voltados à construção institucional e à
capacitação de pessoal nas municipalidades
selecionadas.”
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