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Brasília - Se o impasse em torno
das mudanças no projeto de construção da Usina
Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), propostas pelo
consórcio vencedor, for parar na Justiça, a obra poderá
atrasar até dez anos. A previsão é do presidente
do Consórcio Energia Sustentável do Brasil, que venceu
o leilão, Victor Paranhos.
“Vai virar uma
competição de advogados, e o Brasil vai ficar sem 3,3
mil megawatts de energia”, afirma. Paranhos diz também
que a briga entre os dois consórcios que disputaram o leilão
pode comprometer parcerias futuras entre as empresas Suez e
Odebrecht, que encabeçam os dois grupos, inclusive para
concorrer na licitação para a construção
da Usina de Belo Monte, no Pará, na qual a Suez tem
interesse.
“Se alguém te
ameaça em um dia e no dia seguinte quer fazer parceria, isso
não pode acontecer”, disse. Paranhos garante que se reuniu
pelo menos três vezes com a diretoria do Consórcio Jirau
Energia, formado pelas empresas Furnas, Odebrecht, Andrade Gutierrez
e Cemig, que perdeu o leilão, tentando resolver o impasse.
Depois de ter sido
anunciado como vencedor da disputa pela construção da
usina, o consórcio Energia Sustentável do Brasil,
formado pelas empresas Suez Energy, Camargo Corrêa, Eletrosul e
Chesf, anunciou que pretende fazer mudanças no projeto
previsto no edital, entre elas a realocação da barragem
em 9,2 quilômetros abaixo do ponto original.
Segundo o consórcio,
essa alteração vai possibilitar que sejam feitas menos
escavações, diminuindo os impactos ambientais e os
custos, além de antecipar o cronograma da obra e
permitir uma economia de R$ 1 bilhão no projeto, que tem
custo estimado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) de R$
8,7 bilhões.
Paranhos diz que o novo
projeto é melhor do ponto de vista ambiental, social e de
engenharia. Segundo ele, o projeto previsto no edital é “muito
ruim”. “Não tem empresa no mundo que faça aquele
projeto, nem a Odebrecht faria”, diz.
As mudanças no
projeto ainda deverão ser aprovadas pela Aneel e pelo
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama).
O ministro de Minas e
Energia, Edison Lobão, disse hoje (22) que está
conversando com representantes dos dois consórcios para buscar
um entendimento e assegurou que não haverá atrasos na
obra por causa da disputa. “Não posso admitir que o
interesse nacional seja prejudicado por conta de uma disputa entre
duas empresas”, disse.
O diretor do Jirau
Energia, Irineu Meirelles disse apenas que o consórcio “irá
se manifestar no momento que julgar oportuno e em foro próprio”.
Hoje (22), a Aneel negou o recurso apresentado pelo Consórcio Jirau Energia, perdedor do leilão, que pedia o cancelamento da habilitação concedida ao grupo vencedor, o Consórcio Energia Sustentável do Brasil (Cesb). O recurso questionava apenas questões técnicas, como a falta de documentos exigidos pelo leilão.
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