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Brasília - Os governadores
que participaram hoje (21) em Brasília de um congresso internacional defenderam
que a criação do Fundo de Equalização de Receitas (FER) deve ser
na proposta da reforma tributária e não por meio de lei
complementar, como defende o relator na comissão especial que analisa a reforma
deputado Sandro Mabel (PMDB-GO).
O FER será um
instrumento destinado a recompensar os estados e municípios
que perderem arrecadação com a mudança na
cobrança do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) da origem para o destino. A mudança é
um dos principais pontos da reforma tributária, e vem causando
a maior polêmica entre estados, municípios e a União.
Os estados considerados
produtores ou consumidores concordam com a mudança, mas querem
ver a recompensa expressa no texto da reforma.
O governador do Mato
Grosso, Blairo Maggi (PSDB), lembrou as perdas nunca recompensadas
dos estados e municípios com a Lei Kandir, que definiu isenção
de imposto para mercadorias destinadas às exportações
e serviços prestados no exterior, mas não estabeleceu
em seu texto base uma forma de recompensar os estados.
“O FER tem que ser
colocado no corpo da reforma. Se não acontecerá como na
Lei Kandir, fica uma promessa de futuro que acaba não sendo
realizada e dando prejuízos aos estados e municípios”,
disse o governador no 6º Congresso Internacional Brasil
Competitivo, onde foram expostas experiências bem sucedidas de
estados que conseguiram por meio de planos de gestão reduzir
seus gastos.
Para Maggi, a mudança
na forma de cobrança do ICMS é justa, no entanto, ao
governo federal cabe a função de garantir recursos para
ressarcir os estados e municípios da queda na arrecadação.
“Se não houver
o fundo e recursos suficientes para bancar as diferenças não
há reforma tributária. Essa reforma não passa no
Congresso. A metodologia de mudança na cobrança do ICMS
é viável, mas há de se ter mecanismos de
compensação até que os sistemas sejam
eficientes. O Mato Grosso, por exemplo, é um grande produtor,
mas um pequeno consumidor de produtos acabados. Então, temos
um desencaixe muito grande. Por isso defendemos que o modelo pode ser
adotado, mas tem que ter um fundo de compensação senão
o governo vai quebrar os estados”, destacou.
O governador
acrescentou que não acredita que a proposta caminhe na Câmara
ainda este ano.
“A reforma é
para 2009 com novos atores na política. Nesse momento, o
Congresso está todo em campanha e a gente vê que não
há clima para isso”, afirmou.
O governador de
Sergipe, Marcelo Déda (PT), defende, no entanto, que seria de
grande importância que a Câmara conseguisse votar a
proposta ainda este ano.
“O ano de 2008 é
um ano eleitoral, e todo ano eleitoral tem uma agenda muito complexa.
A disputa das eleições compete com a pauta do
Congresso, mas vale a pena o esforço para ver a reforma
aprovada pelo menos na Câmara dos Deputados. Seria extremamente
positivo para o país se pelo menos o capítulo que
compete à Câmara fosse cumprido. Desta forma, o Senado,
que é a Casa dos estados pudesse ter a proposta aprovada como
texto guia, a partir do qual se afunilaria a conversa e o diálogo
com os estados”, destacou Déda.
Para o governador de
Sergipe, a mudança na cobrança do ICMS é
fundamental para se promover o equilíbrio entre os estados.
“Ela é
fundamental para que possamos equilibrar um pouco o país.
Estados do Nordeste, que são consumidores, têm sido
onerados pela forma como tem sido praticado a cobrança do ICMS
atualmente. Além de perder com a cobrança da forma
atual, Sergipe perde também quando comercializa com outros
estados o seu mais importante produto, o petróleo, cujo
imposto incide no destino. O meu estado é produtor de
petróleo, e justamente quando é para vender petróleo,
aí a regra se inverte para favorecer grandes estados
consumidores dessa commoditie”, reclamou.
Déda admitiu que
mesmo na Região Nordeste, as diferenças entre os
estados acaba emperrando as definições para o ICMS, o
que reforça a necessidade do mecanismo de compensação.
“O fato é que
dentro do Nordeste há diferenças. Existe o time Ceará,
Pernambuco e Bahia, que tem economias com fatores competitivos mais
elevados. Já os outros estados possuem condições
antagônicas, de modo que a discussão do tema dentro do
Nordeste tem que levar em conta essas diferenciações
internas. O lado positivo é que eu não me lembro na
política brasileira de um momento de tamanha integração
entre os governadores dos estados da região em torno de algo
tão consistente. Isso me faz acreditar que dessa vez poderá
ser possível um consenso”.
A governadora do Rio
Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), também lembrou a “queda
de braço” dos estados com a União para a obtenção
dos ressarcimentos das perdas geradas pela Lei Kandir. Ela defendeu a
criação do fundo e disse que o mecanismo não
deve ser encarado como “jeitinho brasileiro” para garantir a
aprovação da proposta.
“Acho que esse fundo
de equalização não pode ser visto como jeitinho
brasileiro, não. Há estados que fizeram todo seu
esforço para serem estados produtores. São estados que
têm matérias-primas relevantes. Como que, de repente,
aquilo que fizeram, um esforço de gerações,
acaba com uma reforma tributária? Tem que haver sim a cobrança
no destino, alíquota única, sem guerra fiscal, mas
reservar àqueles que agiram no sentido de serem produtores de
matéria-prima a oportunidade de se adaptarem com o tempo. Isso
deve ser garantido imediatamente no texto a ser aprovado pelo
Congresso Nacional”, defendeu a governadora.
O texto da reforma
tributária ainda não foi aprovado pela comissão
especial criada na Câmara para analisar a proposta. O relator,
Sandro Mabel, optou por não apresentá-lo agora em julho
alegando que queria garantias de que a proposta seria levada para a
votação em plenário tão logo fosse
aprovada pela comissão.
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