Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
|
|
Brasília - O ministro da Educação, Fernando Haddad, e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, assinam acordo que aumenta número de vagas gratuitas à educação profissional e tecnológica, nas entidades do Sistema S
|
Brasília - Até
2014, dois terços das vagas dos cursos técnicos e
profissionalizantes oferecidos pelas entidades do Sistema S deverão
ser gratuitas e destinadas à população de baixa
renda. Essa é a principal mudança prevista no protocolo
assinado hoje (22) entre o Ministério da Educação e
representantes do Sistema S, que reúne 11 entidades como Sesc,
Sesi, Senai e Senac.
“Não
é de hoje que nós jogamos luz a um problema urgente que
o país precisa enfrentar, que é o acesso do jovem à
educação profissional. Para promover esse acesso, nós
concebemos um conjunto de iniciativas, uma vez que um ator só
não conseguirá dar conta de toda a demanda social
indispensável para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil”, defendeu o ministro da Educação
Fernando Haddad.
O Sistema
S arrecada por ano cerca de R$ 8 bilhões por contribuição
compulsória de 2,5% sobre a folha de pagamento das empresas.
Desses, 1,5% é repassado às entidades responsáveis
pelo atendimento social e 1% à aprendizagem profissional. A
proposta inicial de mudança feita pelo ministro Fernando
Haddad previa, além do aumento da gratuidade das vagas, a
inversão desses percentuais. O presidente da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, chegou a
classificar a proposta como “uma tentativa encabulada de
estatização”. Hoje, Monteiro e Haddad afirmam que chegaram a um acordo que atende às
duas partes.
“A
princípio o que nós estranhamos é que um
projeto que claramente intervinha no sistema pudesse ser feito sem um
diálogo prévio. Esse protocolo [assinado hoje] foi construído a
partir de uma base de diálogo e de livre convergência.
Ou seja, não foi fruto de nenhuma imposição, mas
de uma negociação. Ele só foi construído
porque houve uma livre adesão das partes. Não foi um
triunfo dos empresários, mas do consenso”, afirmou Monteiro.
A porcentagem das vagas gratuitas oferecidas pelas entidades deve aumentar gradualmente até atingir 66,6% até 2014. Segundo Monteiro, hoje a gratuidade no Senai
chega só a 40% das vagas. A quantidade das vagas gratuitas que serão oferecidas dependerá
da demanda e da organização das unidades estaduais do
sistema S.
O acordo
prevê ainda que dois terços da receita líquida de
contribuição compulsória devem ser destinadas às
vagas gratuitas. Inicialmente, o MEC pedia a utilização
de 100% desses recursos em atividades sem custos para a população.
“O argumento trazido pelas confederações é
legítimo, de que há espaço para uma subversão
parcial, ou seja, para a cobrança abaixo do custo. Isso
permitirá uma ampliação do atendimento”,
ponderou Haddad.
Outra
determinação é de que a carga horária
mínima dos cursos técnicos seja 160 horas. Os
percentuais de recursos destinados ao serviço social e à
aprendizagem não foram alteradas, mantém-se em 60% e
40% respectivamente. Mas o novo acordo prevê que um terço
dos recursos destinados a serviços sociais pelo Serviço
da Indústria (Sesi) e pelo Serviço Social do Comércio
(Sesc) deve ser aplicado em atividades da educação
básica e continuada.