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22 de Julho de 2008 - 11h20 - Última modificação em 22 de Julho de 2008 - 11h29


Economistas acreditam que Copom deve manter aumento gradual dos juros neste ano

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Os indicadores dão sinais de que a inflação vai ceder, mas somente a partir de 2009. Por isso, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a trajetória de aumento gradual da taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual neste ano. A estimativa é dos economistas Roberto Padonvani, do banco WestLB, e Newton Rosa, da Sulamérica Investimentos. Atualmente, a Selic está em 12,25%.

A Selic, usada pelo Banco Central para controlar a inflação, é a taxa de juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil (overnight), lastreados por títulos públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). Depois que o Copom estabelece a taxa Selic, cabe à mesa de operações do mercado aberto do Banco Central manter a taxa diária próxima à meta.

“A atividade econômica deve dar uma desaceleração no segundo semestre”, afirmou Newton Rosa. Para ele, a estratégia de ajuste gradudal é suficiente para conter as expectativas de alta dos preços. Na opinião de Newton Rosa, não há necessidade de um “choque”contra a inflação com aumento de 0,75 ponto percentual nos juros básicos na reunião de hoje (22) e amanhã do Copom.

Na projeção do economista, a Selic deve fechar este ano em 14,25%, e chegar em 2009 em 15,25%, mantendo, então, o patamar por vários meses.

Para Padovani, neste ano o limite superior da meta de inflação de 6,5% deve ser rompido, mas em 2009 e 2010, o “risco inflacionário é menor”, com crescimento econômico abaixo do potencial e redução do ritmo de alta dos preços de commodities, o que tem gerado inflação no mundo. A expectativa do economista é de que a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), feche o ano em 6,7%. Segundo o boletim Focus, analistas de mercado projetam a inflação neste ano em 6,53%.

Padovani afirma também que o principal instrumento para conter a inflação é o aumento da taxa básica de juros, mas o governo poderia também reduzir gastos. Para ele, a economia de recursos para formar o Fundo Soberano do Brasil reduz os gastos no curto prazo, mas o melhor seria abater dívida do que financiar despesas.

Para a Associação Nacional das Instituições de Crédito Financiamento e Investimento (Acrefi) e a ASB Financeira, que divulgaram nota conjunta, a “dosagem” do aumento dos juros deve ser maior - 0,75 ponto percentual. O motivo é a demanda interna aquecida, aumento do volume de crédito e dos preços do petróleo e grãos, o que pressiona a inflação. Para as instituições, deveria ser aplicada “uma vigorosa dose misturada de disciplina monetária e de controle fiscal”, com corte nos gastos correntes dos governos federal, estaduais e municipais.



 


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