|
|
22 de Julho de 2008 - 15h13 -
Última modificação
em 22 de Julho de 2008 - 20h18
Novas normas para maternidades representam conquista de todas as mulheres, diz Anvisa
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Elza Fiúza/ABr
| |
Brasília - O presidente da Anvisa, Dirceu Raposo, fala na cerimônia de anúncio de novas normas para maternidades
|
Brasília - As novas normas para maternidades,
anunciadas hoje (22), são “uma conquista de todas as
mulheres que foram, são ou serão mães”.
A
afirmação foi feita pelo presidente da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu
Raposo, ao lembrar que o “alarmante” número de
procedimentos cirúrgicos no momento do parto que se verifica
no Brasil.
“É a promoção
de um parto tão seguro ou mais seguro do que outros tantos,
muito mais humanizado e, obviamente, natural. Esse direito nem sempre
é garantido ou observado na hora do parto. Muitas vezes, as
condições em que o parto é executado relegam a
um segundo plano o primeiro contato da mãe com o seu neném
e o amparo dessa mãe pelas pessoas.”
Para ele, o envolvimento das esferas
estaduais e municipais na observação das providências
e adequações das maternidades é “absolutamente
determinante” para que o ambiente normatizado – um quarto com
leito e banheiro – seja oferecido às gestantes e aos
acompanhantes.
O ministro da Saúde, José
Gomes Temporão, que participou do lançamento das
normas, afirmou que as medidas correspondem a um “grande anseio”
da sociedade brasileira pela redução da mortalidade
materna e neonatal. Segundo ele, os índices registrados
atualmente ainda representam “um problema importante a ser cuidado”
no país.
Temporão acredita que as novas normas possam ser uma forma de estimular o parto normal. “A resolução da Anvisa
avança, porque obriga todos os serviços de saúde – públicos e privados
– a adotar determinadas condições quando a decisão da mulher for pelo
parto normal. Isso é muito bom, porque garante a qualidade.”
O diretor do Departamento de Ações
Estratégicas e Programáticas do Ministério da
Saúde, Adson França, lembrou que as regras buscam
vincular o local do pré-natal ao local onde ocorre o parto.
"As maternidades brasileiras e os
serviços que realizam partos serão estimulados avaliar
a atenção obstétrica e neonatal semestralmente.
As cesárias desnecessárias aumentam em seis vezes o
risco de uma mulher morrer no parto. No caso de uma criança
prematura de 36 semanas, o risco passa a ser 120 vezes maior.”
França alertou para mitos que
contribuem para os altos índices de cesarianas no país
– como o de que uma mulher de baixa estatura não pode passar
pelo parto normal, ou que, no caso de gravidez de gêmeos, as
crianças poderiam vir ao mundo apenas por meio de cesária,
ou ainda que, se o bebê pesar mais de três quilos, não
é conveniente nascer de forma natural, porque comprometeria a
sexualidade do casal, por provocar alargamento da vagina.
De acordo com França, os
serviços de vigilância sanitária municipais e
estaduais vão fiscalizar a implementação das
normas, com supervisão em âmbito nacional. Ele informou
que a resolução já está em vigor e disse
que as maternidades terão até 180 dias para se adaptar.
Segundo França, os recursos fazem parte da verba já
repassada para as políticas que tratam da humanização,
dos direitos sexuais e reprodutivos e do processo de qualificação
de atenção ao parto.
“O processo de fiscalização
não inclui punição, é um processo de
persuasão, de convencimento, de mudança de cultura.
Punir, nesse caso, não é o melhor caminho. Se não
forem cumpridas todas as exigências em 180 dias, os próprios
municípios provavelmente pedirão apoio”, disse França.
Dados do Ministério da Saúde
indicam que, no Brasil, as cesarianas representam 43% do total de
partos realizados - 3 milhões. Analisando apenas as mulheres
que têm planos de saúde, o percentual chega a 80%. A
recomendação da Organização Mundial de
Saúde (OMS) é que as cirurgias representem apenas 15%
dos partos.
A matéria foi atualizada para acréscimo de informações
|
|
|
LEIA MAIS SOBRE OS ASSUNTOS
|
|