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Brasília - O presidente da
Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime
Organizado da Câmara dos Deputados, Raul Jungmann (PPS-PE),
apresentou hoje (23) ao ministro da Justiça, Tarso Genro, a
minuta de um projeto de lei que altera a lei sobre o abuso
de autoridade.
Pelo projeto, o abuso será caracterizado quando a autoridade praticar, omitir ou
retardar ato, no exercício da função pública,
para prejudicar, embaraçar ou prejudicar os direitos
fundamentais do cidadão garantidos na Constituição
Federal, como, por exemplo, a liberdade individual, a integridade
física e moral, a intimidade, a vida privada e a
inviolabilidade da casa.
A pena para quem
praticar o crime de abuso de autoridade, de acordo com a proposta de
Jungmann, é de quatro a oito anos de prisão e multa
equivalente a 24 meses de salário da autoridade.
A lei atual – Lei
4.898, de 1965 - prevê pena de no máximo seis meses de
prisão.
Jungmann considera o
projeto uma “trincheira do cidadão”, para que ele tenha
meios de se defender contra qualquer abuso cometido por uma
autoridade.
A proposta, segundo
deputado, permite ao cidadão entrar com uma ação
na Justiça no caso de omissão da autoridade que
investiga o caso de abuso de poder que não tome qualquer
providência em 60 dias.
“Ele pode entrar com
uma ação penal privada, ou seja, o próprio
cidadão passa a ter o direito de entrar com uma ação
contra qualquer autoridade”, explicou.
O deputado não
vê semelhanças da sua proposta a uma “lei da
mordaça” para restringir a atuação de
autoridades. Segundo ele, sua preocupação é
garantir que não se use informações oficiais com
má fé.
“Tenho a preocupação
de evitar o conluio que possa haver entre determinados órgãos
ou instituições, enfim, são amplas garantias
constitucionais que estão aqui dentro [no projeto de lei]
e que são favoráveis à atuação
tanto da Procuradoria-Geral da República, dos procuradores que
não terão em nada limitado o seu trabalho, como também
da Polícia Federal”, afirmou.
Jungmann disse que o
ministro da Justiça vai estudar a proposta, e se possível
fazer um projeto único para servir de base para um projeto
sobre o mesmo tema em elaboração no ministério.
O deputado Raul
Jungmann também apresentou sua proposta ao ministro de
Relações Institucionais, José Múcio, no
Palácio do Planalto.
Jungmann negou tenha
apresentado o projeto de lei agora por causa da Operação
Satiagraha, da Polícia Federal, mas que vem trabalhando no
tema há meses.
“Esse projeto vai
ajudar a pegar mais poderosos, mais Daniel Dantas, mais Naji Nahas. A
minha grande preocupação é com o “zé
povinho”, aquele que ao contrário do Daniel Dantas não
tem advogado, não tem dinheiro, não consegue ficar
colocando agravo, embargo e assim por diante”, justificou.
O deputado rebateu
ainda que a proposta vai permitir que o cidadão entre com uma
ação contra uma autoridade por abuso para não
ser preso ou responder pelo crime que tenha sido acusado.
“Não existe a
possibilidade de reclamar do abuso de autoridade e ao mesmo tempo não
responder pelos crimes e delitos que responde. Não tem nada a
ver uma coisa com a outra”, disse.
Na semana passada, o
ministro da Justiça, Tarso Genro, e o presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, anunciaram que estudarão
alterações na lei do abuso de autoridade, depois
de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após trocarem críticas publicamente sobre a atuação
dos agentes policiais na Operação Satiagraha.
* Atualizada às 18h55 para complementar informações
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