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23 de Julho de 2008 - 15h44 - Última modificação em 23 de Julho de 2008 - 16h18


Lula diz que "não tem acordo" em Genebra sem flexibilização de países ricos

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

 
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Antonio Cruz/ABr
Brasília - Presidente Lula e o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, brindam durante almoço oferecido pelo governo brasileiro no Ministério das Relações Exteriores
Brasília - Presidente Lula e o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, brindam durante almoço oferecido pelo governo brasileiro no Ministério das Relações Exteriores
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (23) que não haverá acordo se não houver flexibilização nas negociação da Rodada Doha, que ocorrem atualmente na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra.

"Se não houver uma efetiva diminuição dos subsídios dos Estados Unidos e se não houver uma efetiva flexibilização para o mercado agrícola europeu não tem acordo e cada um que arque com sua responsabilidade", disse, após almoço com o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, no Palácio do Itamaraty.

Lula afirmou que os americanos e europeus "acham que os países emergentes têm que se subordinar à lógica deles" e estão habituados a um tempo em que "não tinha negociação, eles impunham o que eles queriam e os outros eram obrigados a aceitar". Mas atualmente, segundo Lula, "é preciso levar em conta a existência dos países emergentes".

Segundo Lula, durante as negociações da Rodada Doha, cujas reuniões ocorrem em Genebra, Suíça, os países que integram o G20 têm demonstrado aos Estados Unidos e à Europa disposição em fazer concessões em relação aos produtos industriais.

O presidente manifestou apoio à atuação do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, nas negociações da rodada. "O Celso Amorim é um extraordinário negociador, portanto, penso que estamos em boas mãos". Amorim se envolveu em uma polêmica em Genebra ao comparar a negociação dos países ricos sobre a Rodada Doha com a propaganda nazista (uma mentira dita mil vezes torna-se verdade).

Lula disse ainda que um caminho para amenizar a crise alimentar o mundo é incentivar os países mais pobres a plantarem mais alimentos. "Para os países mais pobres plantarem alimentos é preciso que haja perspectiva de mercado, para eles venderem seus produtos", completou o presidente. Durante as negociações, os Estados Unidos propuseram redução dos subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões. O G20, grupo de países em desenvolvimento, liderado pelo Brasil e Índia, havia pedido um limite de concessão de subsídios de, no máximo, US$ 13 bilhões.


 


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