



|
Antonio Cruz/ABr
| |
Brasília - Presidente Lula e o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, brindam durante almoço oferecido pelo governo brasileiro no Ministério das Relações Exteriores
|
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (23) que não haverá acordo se não
houver flexibilização nas negociação da Rodada Doha, que ocorrem atualmente na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra.
"Se não houver uma efetiva diminuição dos subsídios dos Estados Unidos
e se não houver uma efetiva flexibilização para o mercado agrícola europeu não tem acordo e cada um que arque com sua responsabilidade", disse, após almoço com o primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, no
Palácio do Itamaraty.
Lula afirmou que os americanos e europeus "acham que os países
emergentes têm que se subordinar à lógica deles" e estão habituados a
um tempo em que "não tinha negociação, eles impunham o que eles queriam e
os outros eram obrigados a aceitar". Mas atualmente, segundo Lula, "é
preciso levar em conta a existência dos países emergentes".
Segundo Lula, durante as negociações da Rodada Doha, cujas reuniões
ocorrem em Genebra, Suíça, os países que integram o G20 têm
demonstrado aos Estados Unidos e à Europa disposição em fazer
concessões em relação aos produtos industriais.
O presidente manifestou apoio à atuação do ministro de Relações
Exteriores, Celso Amorim, nas negociações da rodada. "O Celso Amorim é
um extraordinário negociador, portanto, penso que estamos em boas
mãos". Amorim se envolveu em uma polêmica em Genebra ao comparar a
negociação dos países ricos sobre a Rodada Doha com a propaganda
nazista (uma mentira dita mil vezes torna-se verdade).
Lula disse ainda que um caminho para amenizar a crise alimentar o
mundo é incentivar os países mais pobres a plantarem mais alimentos. "Para
os países mais pobres plantarem alimentos é preciso que haja
perspectiva de mercado, para eles venderem seus produtos", completou o presidente.
Durante as negociações, os Estados Unidos propuseram redução dos
subsídios agrícolas para US$ 15 bilhões. O G20, grupo de países em
desenvolvimento, liderado pelo Brasil e Índia, havia pedido um
limite de concessão de subsídios de, no máximo, US$ 13 bilhões.
|
|