



|
Rio de Janeiro - O futuro do deputado Natalino Guimarães (DEM) só será
decidido em agosto, depois do recesso parlamentar. A decisão foi
tomada na manhã de hoje (23), em reunião extraordinária da Mesa
Diretora, da Comissão de Constituição e Justiça(CCJ) e do Conselho de
Ética da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Acusado de chefiar
uma milícia na zona oeste do Rio, o parlamentar foi preso em flagrante
segunda-feira, no bairro de Campo Grande.
Na reunião, os deputados receberam e começaram a
analisar os autos da prisão em flagrante de Natalino. A
assessoria da Alerj informou, entretanto, que eles só vão convocar uma
sessão plenária extraordinária para votar a soltura ou manutenção da
prisão do colega após o fim do recesso.
Os deputados decidiram, no entanto, que os documentos
vão ser enviados imediatamente à Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) para análise das denúncias e das condições em que foi efetuada a
prisão.
A decisão da Mesa Diretora foi apoiada pelo corregedor da Casa,
deputado Luiz Paulo (PSDB). De acordo com ele, que também é membro da CCJ, a comissão precisará de tempo para se debruçar sobre os
autos.
"A Casa está em recesso, mas nada impede que a CCJ comece a
coletar dados e materiais sobre a prisão em flagrante. Os autos da
prisão foram entregues agora, então precisamos de tempo para ler e
confrontar os dados, até para formar o juízo de valor. Quando o
trabalho recomeçar, e já de posse de dados que ainda serão enviados,
poderemos julgar a prisão", explicou o deputado, que fez questão de
destacar a diferença entre a avaliação sobre a prisão e quebra de
decoro parlamentar.
"O que está sendo feito é a análise da prisão em
flagrante, que é um preceito constitucional. A quebra de decoro é um
julgamento que ainda não está em discussão", afirmou ele, para quem o
processo disciplinar poderá ser instaurado ao fim do recesso, que vai
até o próximo dia 31. "É claro que há elementos para se examinar a
quebra de decoro, mas são fatos separados", reforçou.
O presidente da CPI das Milícias da Alerj, deputado
Marcelo Freixo (PSol), defendeu a postura da Casa no enfrentamento às
milícias e se manifestou favorável à intenção dos membros da CCJ de
analisar as condições da ação policial.
"A Casa já aprovou a CPI das
Milícias, o que prova a disposição de enfrentar esses grupos criminosos,
mas, se houve, como Natalino disse, irregularidade ou excesso na
prisão, o governo deve responder por isso. Esta é uma análise
necessária para saber se a prisão foi legal ou não", disse. "Eu não
tenho dúvida de que houve quebra de decoro, o que não impede a urgência
de se avaliar a questão da prisão do deputado, se ela atendeu o que
determina a Constituição ou não. E isto será investigado pela Casa",
complementou.
De acordo com a assessoria da Alerj, a CCJ tem 48 horas
para dar seu parecer sobre o caso, o que, a contar do fim do recesso,
deve acontecer na primeira terça-feira de agosto, dia 5. O relaxamento ou manutenção da prisão de Natalino, deve ir a plenário ainda na primeira semana de agosto. Para que o deputado seja solto, será preciso que 36 parlamentares votem a favor do relaxamento da prisão.
|
|