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Brasília - A
demanda pela reforma agrária é maior do que a resposta
dada pelo governo ao problema, afirmou hoje (23) o geógrafo e professor da
Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Presidente Prudente, Bernardo Mançano. Para
ele, o governo tem priorizado a regularização fundiária
em vez de realizar desapropriações de novas terras para
reforma agrária.
“O
governo está muito lento e precisa de um empurrão”,
disse Mançano em entrevista à Agência Brasil se referindo às manifestações realizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que reivindicavam "a retomada do projeto de reforma agrária no país".
Segundo ele, hoje mais de 150 mil famílias vivem em
acampamentos à espera da reforma agrária e muitas
estão nessa condição há mais de quatro
anos sem ter resposta do governo.
Desde
a última segunda-feira (21), integrantes do MST realizam manifestações
cobrando mais agilidade do governo em promover a reforma agrária.
Como parte da Jornada de Lutas por Reforma Agrária, os
trabalhadores rurais ocuparam sedes do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra) em sete
estados.
“Na
minha leitura, pelo que conheço estudando a reforma agrária,
o governo pode fazer isso [agilizar o processo de reforma
agrária]. Não há um impedimento para o
governo não fazer. Acredito que a pressão dessas
manifestações é importante no sentido de alertar
o governo para que ele faça e agilize a reforma agrária
“, argumentou o professor.
Para
Mançano, esses protestos são uma forma de pressão dos
movimentos sociais para "intensificar o diálogo" na procura de
alternativas para assentar as famílias. “O que os movimentos
estão reclamando hoje é uma maior dinamicidade do
governo na implantação e criação de novos
assentamentos”, pontuou.
De
acordo com Mançano, a proximidade do Dia do Trabalhador Rural,
comemorado na próxima sexta-feira (25) e o Abril Vermelho, têm
se tornado momentos marcantes do cotidiano da luta pela terra. “Os
movimentos procuram fazer manifestações cobrando do
governo uma maior agilidade na implantação de
assentamentos da reforma agrária”, disse o professor, para
quem o governo “está aquém” das reivindicações dos movimentos sociais.
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