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23 de Julho de 2008 - 16h37 - Última modificação em 23 de Julho de 2008 - 16h37


Governo é lento na promoção da reforma agrária, diz especialista

Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A demanda pela reforma agrária é maior do que a resposta dada pelo governo ao problema, afirmou hoje (23) o geógrafo e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Presidente Prudente, Bernardo Mançano. Para ele, o governo tem priorizado a regularização fundiária em vez de realizar desapropriações de novas terras para reforma agrária.

“O governo está muito lento e precisa de um empurrão”, disse Mançano em entrevista à Agência Brasil se referindo às manifestações realizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que reivindicavam "a retomada do projeto de reforma agrária no país". Segundo ele, hoje mais de 150 mil famílias vivem em acampamentos à espera da reforma agrária e muitas estão nessa condição há mais de quatro anos sem ter resposta do governo.

Desde a última segunda-feira (21), integrantes do MST realizam manifestações cobrando mais agilidade do governo em promover a reforma agrária. Como parte da Jornada de Lutas por Reforma Agrária, os trabalhadores rurais ocuparam sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em sete estados.


“Na minha leitura, pelo que conheço estudando a reforma agrária, o governo pode fazer isso [agilizar o processo de reforma agrária]. Não há um impedimento para o governo não fazer. Acredito que a pressão dessas manifestações é importante no sentido de alertar o governo para que ele faça e agilize a reforma agrária “, argumentou o professor.

Para Mançano, esses protestos são uma forma de pressão dos movimentos sociais para "intensificar o diálogo" na procura de alternativas para assentar as famílias. “O que os movimentos estão reclamando hoje é uma maior dinamicidade do governo na implantação e criação de novos assentamentos”, pontuou.

De acordo com Mançano, a proximidade do Dia do Trabalhador Rural, comemorado na próxima sexta-feira (25) e o Abril Vermelho, têm se tornado momentos marcantes do cotidiano da luta pela terra. “Os movimentos procuram fazer manifestações cobrando do governo uma maior agilidade na implantação de assentamentos da reforma agrária”, disse o professor, para quem o governo “está aquém” das reivindicações dos movimentos sociais.

 


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