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Brasília - O Congresso Nacional aprovou, no primeiro semestre, duas leis que incluem novas
disciplinas nos currículos da educação básica: filosofia, sociologia e música. Especialistas em
educação comemoraram a inclusão, que garante a
crianças e adolescentes uma formação mais
integral. Mas a novidade também coloca o dedo em um antiga
ferida da educação brasileira: a falta de professores
para disciplinas específicas.
De acordo com um
estudo da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Ensino Superior (Capes), órgão que agora
responde pela formação de docentes para a educação
básica, o Brasil tem, hoje, 31.118 profissionais atuando como
professores de filosofia, sendo que, desse total, apenas 23% têm
formação específica. Na sociologia, são
20.339 professores atuantes, sendo 2.499 licenciados (12%).
Estimativa da Capes
aponta que serão necessários 107.680 docentes, em cada
uma das disciplinas, para atender aos 24.131 estabelecimentos de
ensino médio. A oferta será obrigatória nos
três anos desse nível de ensino.
Segundo o diretor de
educação básica da Capes, professor Dilvo
Ristoff, para atender à nova demanda seria necessário
aumentar em 20 vezes o número de professores formados por ano,
que hoje é de 2.884 em filosofia e 3.018 em sociologia.
“Como não
houve obrigatoriedade do oferecimento dessas disciplinas nos últimos
anos, isso também desestimulou a formação de
professores nessas áreas nas universidades”, disse Ristoff,
em entrevista à Agência Brasil.
A demanda foi calculada
considerando uma carga horária de 20 horas semanais para cada
professor, em turmas de 30 alunos. “Se a gente levar em conta que
50% dos que se formam tendem a exercer outras profissões, a
gente chega ao dramático número de 40 vezes mais
graduados por ano”, estimou.
Ainda não há
um estudo específico sobre o impacto da obrigatoriedade do
ensino da música na educação básica. Os
dados existentes são sobre os professores de educação
artística, área em que há profissionais
formados em número suficiente para atender a demanda. Ainda assim, a maioria não
atua no magistério.
“Certamente haverá um impacto, é
uma demanda de outra natureza, não só de docentes, mas
de ambientes específicos, professores com teoria, professores
com prática, instrumentos musicais e a própria carga
horária”, avaliou Ristoff.
Na sua opinião, o primeiro estímulo para atrair os professores para a sala de
aula foi dado este mês, com a aprovação do
piso nacional do magistério. O Congresso aprovou o projeto no último dia 2.
Inicialmente, Ristoff prevê
que será necessário colocar em sala de aula docentes
formados em áreas correlatas à filosofia e à
sociologia para cobrir o déficit. A prática já
acontece nas disciplinas de química e física, em que o
estoque de professores formados é insuficiente para atender a
demanda.
“Agora teremos que
incluir a filosofia e a sociologia no nosso plano emergencial.
Estamos, inclusive, revendo os planos orçamentários para
2009. Vamos ter que chamar todas aquelas pessoas que têm uma
formação correlata como história, ciência
política e a sociologia pura, sem a licenciatura, para atender
a lei”, disse.
Para atrair ao magistério os
profissionais licenciados em filosofia e sociologia que estão
afastados das salas de aula, a Capes estuda a possibilidade de conceder
bolsas.
Segundo Ristoff, a
Capes deve pedir ao Conselho Nacional de Educação (CNE)
que elabore uma regra de transição para atender à
nova lei, com uma possível redução
da carga horária nos primeiros anos.
De acordo com o educador, é
essencial uma revisão também do currículo do
ensino médio que ele classifica como “inchado”.
“Normalmente são 12 disciplinas no ensino médio, o
que dá, em média, uma carga horária semanal de 48
horas”, calculou. O ideal, segundo ele, seria a adoção
do período integral nas escolas.
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