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Rio de Janeiro - Os
índios guarani da tribo Tekoá Itarypu, que tiveram ocas de sua
aldeia incendiadas no último dia 18, disseram hoje (25) que, caso não
haja a demarcação das terras pela Fundação
Nacional do Índio (Funai), em 12 dias, um grupo de cerca de
800 índios vai ocupar a área.
A aldeia fica em Camboinhas, região
oceânica de Niterói (RJ). Antes do incêndio,
menos de 40 pessoas ocupavam o espaço desde março
deste ano. Para ocupar a área,
no Sítio Arqueológico de Itaipu, os índios
alegaram que, no local, há um cemitério de seus
ancestrais. A presença deles na região
gerou polêmica entre os moradores do bairro, considerado nobre. Eles temem ter seus imóveis desvalorizados com o novo
assentamento. O cacique da tribo,
Darci Tupã de Oliveira, garante que os próprios índios
irão "demarcar" a área, caso a Funai não
cumpra o prazo estipulado pelo grupo, “se eles não fizerem
em 12 dias, os próprios indígenas terão que
fazer a demarcação. Nós vamos cercar o local”,
afirmou.
O representante da
Funai no Rio, que acompanha o caso, Cristino Machado, disse que a
documentação está sendo avaliada. Segundo ele, está sendo elaborado um laudo, para dar prosseguimento no processo de
demarcação da terra. Ele garantiu que, na próxima
segunda-feira (28), um técnico irá à aldeia
avaliar a situação. O advogado do Centro de
Etno-Conhecimento Sócio-Cultural e Ambiental Caueré,
Arão da Providência, disse que os índios têm
direito de permanecer no local. “Legalmente e juridicamente, os
laudos, os registros do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Natural], não deixam nenhuma dúvida
quanto à existência de um cemitério indígena
no local. Inclusive as peças que foram retiradas dali
guarnecem o Museu Nacional de Antropologia de Itaipu. Quem tem que
cuidar de terra indígena é indígena, precisamos
proteger as culturas originárias. A nossa cultura ainda não
morreu”, alegou o advogado.
Hoje (25), um grupo de artistas realizou um ato público em apoio aos
índios guaranis. Participaram da manifestação os
atores Osmar Prado, Priscila Camargo, Antônio Pitanga, dentre
outros. O grupo se comprometeu a apoiar a luta dos indígenas
pela demarcação das terras.
*A matéria foi alterada para mudança no crédito
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