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Antonio Cruz/ABr
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Águas Lindas (GO) - Senira Gomes Vieira, uma das voluntárias da Casa de Moisés, prepara o almoço das crianças que vivem na instituição, que abriga 78 crianças. A ação beneficente começou há mais de 40 anos, com a adoção de um menino abandonado pela mãe em Ceilândia, cidade-satélite do Distrito Federal. O investimento mensal passa de R$ 10 mil
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Águas Lindas (GO) - Quem acha que é difícil a rotina de arrumar um ou dois filhos pela
manhã, para ir a escola, dar banho e servir as refeições
diárias, não conhece a rotina na casa de “Mãe
Vera”, como é conhecida Raimunda Silvério, de 65
anos. Ela tem 78 filhos, adotados de coração.
Mãe Vera cuida de crianças carentes
há mais de 40 anos e, há 18, dirige a Casa de Moisés,
em Águas Lindas (GO). Tudo começou com a insistência
de uma assistente social para que ela cuidasse de uma criança
que havia sido abandonada pela mãe.
Mesmo contra a
vontade do marido, ela aceitou e conta que, quando percebeu, já
estava com a casa cheia de crianças. Algumas chegaram a ser
deixadas na sua porta pelas mães.
A casa, então, ficou pequena, o casamento
acabou e ela resolveu invadir uma área que desse para abrigar
a todos. “Quando vi, minha casa estava cheia e formei um novo lar”,
conta.
A construção começou com folhas
de madeirite e, hoje, já são duas alas, além de
uma pequena biblioteca e um laboratório de informática.
Há também um consultório odontológico
montado e mantido por um professor da Universidade de Brasília
(UnB). E, agora, o terreno já pertence legalmente à
instituição.
Para manter tantas crianças, só
mesmo com a ajuda de voluntários. Cinco fazem os trabalhos de
rotina da casa e diversos ajudam com doações de
alimentos, roupas, materiais escolares e de limpeza. Tarefa que não
é fácil para garantir os 15 quilos de arroz, seis de
feijão e entre 7 a 10 quilos de carne consumidos a cada
almoço.
A estimativa é de que a despesa mensal
passe de R$ 10 mil. A grande preocupação são as
contas de água e luz. A última chega a R$ 800 mensais.
Além da ajuda dos doadores, a instituição
promove bazares para arrecadar dinheiro e, há cerca de um ano,
o fórum da cidade envia, mensalmente, oito cestas de
alimentos.
O caçula da casa tem três meses de
idade e os mais velhos, 18 anos. As crianças e adolescentes
chegam até Mãe Vera trazidas pelo conselho tutelar,
depois de ter vivenciado episódios de violência
familiar, ou ainda entregues por famílias que não têm
como sustentá-las. Algumas são reintegradas à
família, outras passam a ter a Casa de Moisés como lar
definitivo.
Vanessa de Souza, por exemplo, tem 15 anos e está
na casa há dois. Depois que a mãe morreu, ela morou com
parentes, mas conta que não deu certo e, então, foi
acolhida por Mãe Vera. “Ela está sendo tudo para mim
porque é a pessoa que está me ajudando nesse momento
difícil da minha vida”, diz.
Mas, por que deixar uma vida relativamente
tranquila e acolher tantas crianças e enfrentar tantas
dificuldades para sustentá-las? A resposta de Mãe Vera
é que foi um “chamado de Deus”. Ele se sente orgulhosa ao
contar que já tem filhos formados e até netos. E diz
também que já perdeu a conta de quantas crianças
e adolescentes já a tiveram como mãe.
Para ela,
tudo é compensado pela grande alegria de vê-los crescer
saudáveis. “Mesmo com os que vão embora fica uma
relação de família, eles vêm final da
semana, no Natal, no meu aniversário”.
Braço direito de Mãe Vera, o
voluntário Iraci Alves prepara documentos para tentar
registrar a instituição como uma organização
não-governamental. A expectativa é que seja possível
conseguir financiamentos com a nova denominação.
“Teríamos acesso a verbas para construir oficinas
profissionalizantes, quadras de esporte”, explica.
A instituição está aberta
para o trabalho de voluntários e para doações. O
telefone é (61) 3618-5322.
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