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Roosewelt Pinheiro/ABr
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Brasília - O coordenador do Programa DST/Aids para as Nações Unidas (Unaids) no Brasil, Pedro Chequer, concede entrevista coletiva para divulgar o relatório mundial sobre a situação da Aids no mundo. O documento será lançado em todo o mundo hoje e é elaborado com base em levantamentos feitos em 147 países, inclusive o Brasil
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Brasília - O Relatório Global sobre Epidemia de Aids 2008, apresentado em Brasília
nesta manhã (29) pelo coordenador do Programa DST/Aids para as Nações
Unidas (Unaids), Pedro Chequer, mostra que os esforços de prevenção da
doença começam a dar resultados, mas não o suficiente para reverter a
epidemia global em nenhum país do mundo, nem no Brasil, onde ainda
aparecem 30 mil novos casos por ano.
O país é o que tem o
maior índice de contágio na América Latina: são cerca de 730 mil
pessoas com a doença – o que corresponde a 0,6% da população. No
entanto, a coordenação da Unaids elogiou o programa brasileiro de
combate e controle da doença durante a divulgação dos dados,
porque já teria garantido acesso ao tratamento e aos insumos para a
prevenção da doença, como os preservativos – ou seja,
universalizado a cobertura de tratamento e prevenção.
Entretanto,
Chequer pontuou que os governos locais – que são co-participantes das
políticas de combate e controle da aids –, ainda precisam estar atentos para investir na prevenção da doença, mesmo que hajam poucos casos no município. Para ele, a falta de iniciativas locais colabora para que os 30 mil
novos casos por ano continuem a aparecer no Brasil – ainda que não haja
tendência de crescimento. Desde 2000, o país passa por um período de estabilidade com relação à incidência da doença.
“De
modo geral, há um equívoco de alguns políticos, especialmente a nível
local, de que, 'se a prevalência é baixa, então não vamos investir em aids, porque o problema não existe'. Na verdade, aí é que temos que
efetivamente estar fazendo prevenção, como promoção à saúde”, defendeu.
Chequer
exemplificou este pensamento com o que ocorre na Amazônia e no sertão
nordestino ainda que essas regiões não concentrem
grandes números de casos. Ele explicou que o foco das políticas de saúde nesses locais não é a aids, mas outras doenças, o que torna essas áreas vulneráveis ao crescimento de infecções pelo vírus HIV.
O
diretor-adjunto do Programa Nacional de DST/Aids, Eduardo Barbosa,
também participou da apresentação e arrematou que esses locais receberão
cuidados do governo.
“O Ministério da Saúde vai trabalhar em
parceria com a Unaids, nas estratégias que estão sendo adotadas de
capacitação, de ampliação de acesso, trabalho com as comunidades, com
os grupos locais, então nosso trabalho, nesse sentido, é em parceria
com a Unaids”, arrematou Barbosa.
Um dado positivo do relatório
é que os casos brasileiros de transmissão do vírus HIV de mãe para filho foram menos
de 900 dos 30 mil, no ano passado.
A tendência mundial, agora,
segue para a queda no número de casos da doença. Chequer afirmou que
ainda há muito a ser feito para que se alcance a universalização da
cobertura de prevenção e tratamento da aids.
“O
mundo está caminhando para, cada vez mais, usar preservativo, inclusive
na África. Como resultado, temos uma reversão da tendência crescente da
epidemia. Isso é um dado concreto, apesar de outros métodos estarem
sendo utilizados, o preservativo ainda é o método adequado mais seguro
na prevenção da transmissão sexual”, pontua Chequer, como destaque do
relatório.
O documento aponta que, no mundo todo, existem 33
milhões de pessoas com a doença. A África Subsaariana (área mais
pobre, próxima ao Deserto do Saara) é a região do globo com maior
incidência do vírus: 22 milhões de pessoas têm aids.
“O grande desafio não é apenas fazer o acesso ao tratamento. É certo que nós alcançamos 3 milhões [de pessoas com HIV para tratamento]
e ainda faltam 6 milhões para serem atendidos. Esse é um processo que,
eu diria, não é fácil, mas é factível a curto prazo, a médio prazo, à
medida que haja investimento material e de serviços de saúde. O
grande desafio, assim, é prevenção”, reiterou.
Ele destacou,
ainda, que neste último período de análise, mais 1 milhão de pessoas no
mundo tiveram acesso ao tratamento, além das que já tinham. “É claro
que nós ainda não alcançamos a meta [a universalização da cobertura de prevenção e atendimento]. A meta vai ser avaliada em 2010,
2015, mas, considerando a prioridade política dada a nível
mundial, seguramente vamos estar alcançando, senão em 2010, em 2015, o
que coincide com as metas do milênio”.
A matéria foi ampliada
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