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Brasília - O anúncio de que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta
quinta-feira (31) um decreto com novas regras para o Serviço
de Atendimento ao Consumidor (SAC), os call centers, irritou o
senador Romeu Tuma (PTB-SP), da base aliada, não pela origem
da proposta, mas pela disputa da paternidade.
O senador apresentou em
dezembro de 2007 um projeto semelhante ao que dita o decreto
presidencial, e que apesar de já ter um relator, permanece
parado na Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa.
Irritado por não
ter sido ouvido pelo governo sobre a elaboração do
decreto, Tuma disse que vai "pedir providências".
"Vou propor que
comecemos a rejeitar projetos do governo para priorizar matérias
semelhantes que tramitam no Congresso", anunciou o parlamentar.
Tuma considera-se
"injustiçado" e acusa o Executivo de "clonar
projetos" de origem parlamentar.
Para o senador, há
um descaso do governo com relação à sua base
aliada no Congresso. Ele revelou que telefonou na última
quinta-feira (24) para o ministro de Relações
Institucionais, José Múcio Monteiro, para conversar
sobre o seu projeto, deixou recado, mas não recebeu retorno de
sua ligação.
O projeto de lei
apresentado por Romeu Tuma estabelece “que todo serviço de
atendimento pessoal ao consumidor é obrigado a receber a
reclamação ou pedido do consumidor em até três
minutos, quaisquer que sejam as formas, por telefone, internet
ou outra forma de telecomunicação eletrônica".
Tuma também
propõe que as empresas que utilizam serviços de call
center terão um prazo de 48 horas para tomar providências
e encaminhar o resultado, por escrito, ao consumidor.
Não é a
primeira vez que um parlamentar da base aliada reclama a paternidade
de propostas assumidas pelo governo federal. No ano passado, o
senador Osmar Dias (PDT-PR) conseguiu, com o apoio da oposição,
suspender as votações da Ordem do Dia por motivo
semelhante ao de Romeu Tuma.
O senador acusou o
governo de "piratear" um projeto de lei de sua autoria que
regulamentava os estágios de estudantes em empresas, a Lei do
Estágio.
"Chamo isso de
pirataria. O governo atropelou um projeto que já estava
tramitando, para criar outro com o mesmo texto", protestou o
senador Osmar Dias na ocasião.
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