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Dourados (MS) - Nove meses
após firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a
Procuradoria Geral da República, a Fundação
Nacional do Índio (Funai) inicia, neste mês, os
trabalhos para a demarcação de terras indígenas
no Mato Grosso do Sul (MS). Seis grupos de antropólogos chegam
a partir de hoje (29) ao estado para identificar quais áreas
eram ou ainda são, tradicionalmente, ocupadas por índios
da etnia Guarani-Kaiowá e que, segundo estabelece a
Constituição, serão reservadas a eles. Segundo
Claudionor do Carmo Miranda, administrador-executivo regional da
Funai Campo Grande, até 2010 os territórios devem ser
demarcados e entregues aos índios.
Em entrevista à
Agência Brasil, Miranda disse que os antropólogos devem
percorrer 26 municípios da região sul do MS, entre
eles Dourados, Amambai, Maracaju e Rio Brilhante. Durante 73 dias, os profissionais farão um estudo
técnico e histórico que servirá de subsídio
para relatório sobre quais 0são os locais
a serem demarcados com território exclusivo para ocupação
dos indígenas daquela região. O documento será encaminhado posteriormente ao
Ministério da Justiça.
"O trabalho
dos antropólogos é o começo de um longo
processo", afirmou Miranda, lembrando que a demarcação
segue um amplo caminho burocrático até ser concluída.
"Porém é o começo. Enfim, o governo federal
atende a um grito da comunidade indígena da região e
cumpre com um compromisso já firmado há quase um ano."
De acordo com ele, relatórios do Conselho Indigenista
Missionário (Cimi) apontam que a situação dos
índios Guarani-Kaiowá está entre as mais
precárias do país. As atuais reservas ocupadas pela
etnia têm a maior concentração de habitantes por
quilômetros quadrado. O "confinamento" tem causado
inúmeros problemas às tribos.
"Lá [nas
reservas do sul do MS], encontramos desnutrição,
alcoolismo, muitos índios presos, mortes de forma violenta e
até casos de suicídio", enumera o administrador
regional da Funai. "O Guarani-Kaiowá que era nômade
agora vive numa área em que só cabe a sua casa. Isto
acaba atingindo a auto-estima deles."
Para Miranda, a
forma como Mato Grosso do Sul foi colonizado acarretou essa redução
das áreas ocupadas pelos índios. Segundo ele,
incentivados pelo governo federal, agricultores e pecuaristas a
acabaram se instalando em terras indígenas e "espremendo"
os antigos habitantes em áreas remanescentes.
A
expectativa dele é que a nova demarcação devolva
aos Guarani-Kaiowá seus territórios históricos e
colabore para o fim dos problemas enfrentados pela etnia.
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