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Brasília - Depende do ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão de acatar ou não denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Jucá foi denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de
Souza, por supostas irregularidades em empréstimos tomados junto ao Banco da
Amazônia (Basa) e ao Banco do Brasil, em 1994, quando era sócio da
empresa Frangonorte Indústria e Comércio. A denúncia foi feita em 6 de
dezembro de 2007 e está sob exame do ministro, que não
tem prazo para apresentar o seu voto.
Como se trata de um parlamentar, as investigações
correm em segredo de Justiça. Uma vez apresentada a decisão do ministro, caberá ao plenário do STF definir se arquiva ou abre processo contra Jucá. O pedido de abertura de inquérito contra Romero Jucá
foi feito, em 2005, pelo então procurador-geral Cláudio Fonteles. O objetivo
era apurar suposta irregularidade na concessão dos empréstimos. De acordo com Fonteles, Romero Jucá e Getúlio Alberto Souza,
sócios da Frangonorte, adquiriram a empresa assumindo os débitos
existentes, na época, no Basa e no Banco do Brasil.
Em 1995, de acordo com Cláudio Fonteles, os sócios da
Frangonorte firmaram com o Banco da Amazônia uma escritura pública de
confissão, composição e assunção de dívidas com garantia hipotecária e
alienação fiduciária, no valor de R$ 4,6 milhões. O ex-procurador também
relata, no seu pedido de abertura de inquérito, que Romero Jucá e
Getúlio Cruz teriam discriminado imóveis para hipoteca, como garantia de
pagamento dos empréstimos. Em outra cláusula do contrato foi estabelecida
a proibição de se negociar os imóveis sem a devida autorização do Basa.
Os argumentos de Cláudio Fonteles para a abertura de
inquérito são no sentido de que tanto Jucá quanto seu então sócio na
Frangonorte permaneciam na administração da empresa mesmo depois de
terem transferido suas cotas para terceiros. Fonteles também relata que, mesmo constando do Cadastro de
Inadimplentes (Cadim), a Frangonorte conseguiu um aditivo de
empréstimo junto ao Basa de R$ 750 mil.
Cláudio Fonteles, quando apresentou seu pedido de
abertura de inquérito, afirmou que uma vistoria realizada por
funcionários do Basa, na Frangonorte, constatou que as unidades de
produção da empresa estavam paralisadas dois meses depois de o Banco
ter concedido o empréstimo de R$ 750 mil. Mesmo assim, de acordo com Fonteles, seis meses após
a realização dessa vistoria, a instituição financeira liberou mais R$
750 mil à Frangonorte, gerida por Jucá e Getúlio Cruz. No Sistema de
Controle de Operações de Crédito do Basa, constava, no mesmo dia em que
foram liberados os R$ 750 mil, um extrato de liberação para a empresa
Frangonorte no valor de R$ 3.152.554,00.
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