



|
Brasília - A suspeita de morte de
dois bebês em creches de São Paulo por sufocamento, logo
após terem sido alimentados, chamou a atenção
para um problema muito comum entre as crianças, o refluxo.
Segundo a pediatra Renata Waskman, chefe do departamento de
segurança da criança e do adolescente da Sociedade
Brasileira de Pediatria (SBP), o problema é fácil de ser evitado, mas o desconhecimento de procedimentos básicos pode levar a conseqüências graves, chegando à morte.
“O bebê tem
fraqueza muscular. Então a válvula cárdia, que
fica na entrada do estômago, é imatura nos bebês e
não segura tudo o que cai no estômago com efetividade”,
explica Waskman. Se o bebê comer e for colocado na posição
vertical, “a própria lei da gravidade acaba facilitando a
volta do leite que pode chegar até a boca”, alerta a
pediatra.
As medidas para evitar
os problemas são simples. A primeira orientação
é que, logo após a mamada ou ingestão de outros
alimentos, o bebê seja colocado na posição
elevada para arrotar. “É bom estimular a região das
costas, dar umas batidinhas bem leves para ajudar na eliminação
desse ar. O adulto precisa ter paciência e deixar o bebê
nessa posição pelo menos 20 minutos”, recomenda
Renata.
Após o procedimento, a posição mais segura para deitar a
criança no berço ou em qualquer outra superfície é com a barriga para cima. “É a
posição chamada de decúbito frontal. O ideal ainda é
que a cabeceira do berço ou do carrinho esteja na posição
elevada”, destaca a representante da SBP.
Ainda não foi
confirmada a causa da morte de nenhum dos bebês em São Paulo. Mas os médicos
que atenderam Gabriel, de 7 meses, na última sexta-feira (25), após
passar mal em uma creche, constataram a presença de restos de
alimento nos pulmões da criança. “Mas a gente não pode afirmar que foi refluxo. Ela poderia ter
algum outro problema, uma convulsão, um problema
cardiológico”, pondera Renata.
A pediatra defende que
a principal forma de previnir acidentes é com informação.
Ela recomenda ainda que profissionais que trabalham no atendimento de
crianças façam um curso de suporte básico de
vida, semelhante ao de primeiros socorros, oferecidos em centros de
treinamento. “Ele ensina as principais manobras de ressucitação, de desobstrução e retirada de corpo estranho. As
pessoas precisam ter conhecimento dos principais riscos que cercam as
crianças desde o nascimento”, alerta.
|
|