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Brasília - O superávit
primário, economia que o governo faz para pagar os juros da
dívida, foi de R$ 86,116 bilhões no primeiro semestre
deste ano, o maior resultado para o período de janeiro a junho
da série histórica, iniciada em 1991. O valor
corresponde a 6,32% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os
bens e serviços produzidos no país.
De acordo com o chefe do Departamento Econômico
do Banco Central (BC), Altamir Lopes, a expectativa é que no
ano o superávit primário fique em 4,3%, contando com o
esforço fiscal extra de 0,5% do PIB para formar o Fundo
Soberano do Brasil. Em 12 meses, o superávit primário
soma R$ 116,048 bilhões, o que representa 4,27% do PIB.
Ele disse que a tendência é dos
municípios é economizar mais no segundo semestre por
conta da restrição de gastos prevista no período
eleitoral. No caso das empresas estatais, a expectativa também
é de redução de gastos, uma vez que os
pagamentos de dividendos, de royalties e da Contribuição
Social sobre Lucro Líquido (CSLL) se concentraram no início
do ano.
No caso do Governo Central (Tesouro, Previdência
e Banco Central), a expectativa é de “continuidade de
resultados positivos, assim como o de junho [R$ 11,166 bilhões],
o melhor para esse mês”.
Lopes também informou que os gastos com
juros, de R$ 168,704 bilhões em 12 meses e de R$ 88,026
bilhões no primeiro semestre, são os maiores da série
histórica do Banco Central, iniciada em 1991. Segundo o BC, a
inflação tem tido maior peso no pagamento de juros, na
comparação entre semestres.
Segundo os dados, no primeiro semestre de 2007, os
gastos com juros somaram 78,854 bilhões, sendo que R$ 31,397
bilhões, ou 39,8% da dívida, eram referentes a títulos
indexados à Selic, taxa básica de juros da economia.
Já o gasto com juros de dívida
indexada ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA), por exemplo, ficou em R$ 11,097 bilhões (14,07%), no
mesmo período de 2007. Em 2008, esses valores foram,
respectivamente, de R$ 35,4 bilhões (40,21%) e R$ 18,839
bilhões (21,40%). Outro fator citado por Lopes para o
crescimento do pagamento de juros são as perdas com operações
cambiais.
No primeiro semestre, o déficit nominal, ou
seja, receitas menos despesas, incluídos gastos com juros,
chegou a R$ 1,910 bilhão, o que corresponde a 0,14% do PIB.
Esse é o menor percentual da série histórica do
BC.
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