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Brasília - A
polêmica entre governo e cientistas sobre o acesso a recursos da
biodiversidade para pesquisa
deverá ganhar mais um capítulo na próxima semana. Na
terça-feira (5), o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc,
receberá um grupo de representantes da Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência (SBPC) e o tema principal será
o anteprojeto de lei que irá substituir a Medida Provisória
2.186/2001, que atualmente regula pesquisas com recursos da
biodiversidade, como plantas medicinais, por exemplo.
A MP e o
anteprojeto são alvo de críticas de membros da comunidade
científica. Para eles, as restrições à
pesquisa previstas no texto dão aos cientistas tratamento de
“biopiratas”. Entre as exigências está a necessidade
de aprovação das pesquisas pelo Conselho de Gestão
do Patrimônio Genético (CGen), instrumento burocrático,
na avaliação deles.
Desde 2001, o CGen só
concedeu 11 autorizações de pesquisa. Atualmente, cerca
de 60 projetos estão sobrestados, ou seja, iniciaram as
pesquisas sem autorização, pediram ajuste de conduta
para dar continuidade, mas dependem de decisão da
Advocacia-Geral da União.
Minc adiantou na última semana que está negociando
modificações no anteprojeto de lei, para “reduzir em
60% a burocracia do texto” e que terá “boas novidades”
para os representantes da SBPC na reunião desta semana.
“Vamos tratar dessa legislação,
que atualmente dificulta a pesquisa, e também conversar para
criar um novo tipo de relacionamento entre a comunidade científica
e o Ministério do Meio Ambiente, principalmente com o Ibama
[Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis]. Não pode haver um clima de suspeição
em torno dos cientistas”, argumentou um dos vice-presidentes da SBPC
professor Otávio Velho.
Além de Otávio Velho, o presidente
da SBPC, Marco Antônio Raupp, e a também vice-presidente
da entidade, Helena Nader, participarão da reunião com
Minc.
“Reconhecemos a importância
do Ibama, é preciso criar um clima de colaboração.
Acredito que poderemos inclusive utilizar áreas do Ibama para
atividades de Educação Ambiental, por exemplo”,
ponderou o professor.
Na última quinta-feira (31),
o novo presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação
da Biodiversidade, Rômulo Mello, defendeu a abertura das
unidades de conservação para pesquisa como umas das
metas de sua gestão. “Seremos a maior instituição
de pesquisa do mundo, não por termos mais pesquisadores ou
mais dinheiro, mas por colocarmos as unidades de conservação
à disposição dos pesquisadores”, defendeu.
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