|
Brasília - A
aposentada Regina Maria Semião começou a trabalhar como
doméstica aos oito anos de idade. Hoje, com 67 anos e
aposentada desde 1999, recebe um salário mínimo de
aposentadoria e ajuda outras domésticas de Campinas (SP) a ter
acesso à Previdência Social. Ela é uma das
mulheres que participa do Seminário Nacional sobre Seguridade
Social e as Mulheres, em Brasília.
Ela
conta que após os 18 anos sempre teve a carteira de trabalho
assinada e, por isso, não teve muitos problemas para requerer a
aposentadoria. “Precisei comprovar o tempo de contribuição para a
Previdência, mas corri atrás e consegui me aposentar com
um salário mínimo que me dá muita felicidade”,
afirmou.
Diretora
da Secretaria Jurídica do Sindicato das Trabalhadoras
Domésticas de Campinas e Região, Regina Maria Semião, avalia que teve sorte por conseguir se aposentar. “Hoje, vendo a realidade de dentro do sindicato, percebo que tive sorte. Sempre trabalhei com
a carteira assinada, mas vejo a dificuldade que as trabalhadoras
domésticas têm”.
Segundo
ela, a maior parte das domésticas não tem a carteira de
trabalho assinada. “Elas vão ter dificuldade para se
aposentar depois. E não é só pela aposentadoria,
mas pelos acidentes de trabalho. Elas ficam doentes no emprego e não
têm a Previdência. Então, fica mais difícil para o
sindicato ajudar. Temos que entrar com um advogado na Justiça”,
disse.
De
acordo com uma das coordenadoras do Movimento de
Mulheres Camponesas do Rio Grande do Sul Adriana Mezadri a dificuldade para a mulher
se aposentar não está restrita à cidade. No
campo, segundo ela, as trabalhadoras têm dificuldade para comprovar
que vivem do trabalho rural.
“Estamos
enquadradas como seguradas especiais, com direito a se aposentar com
55 anos. Porém, um dos principais problemas é conseguir
comprovar comprovar os 13 anos de atividade rural”,
afirmou.
“Há
um número muito grande de mulheres sem documentação
no campo o que acaba dificultando o acesso à Previdência”,
disse Adriana Mezadri. “A nossa luta é por uma Previdência
Pública, universal e solidária, além da
permanência dos nossos direitos [trabalhadoras rurais] como seguradas especiais”.
Adriana
Mezadri sugere que seja criada uma taxa sobre as grandes fortunas e sobre as exportações do agronegócio para que o governo possa ampliar o número de mulheres atendidas pela Previdência Social.
|