



|
Valter Campanato/ABr
| |
Terra do Meio (PA) - Pecuaristas retiram gado das terras que estão em área de reserva para não terem o rebanho aprendido pela operação Boi Pirata. Este rebanho está na estrada há cerca de 15 dias, devido à dificuldade de transporte por causa das más condições das estradas
|
São Félix do Xingu (Pará) - Após a apreensão
de mais de 3 mil cabeças de gado pelo Instituto Brasileiro de Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Operação Boi Pirata, os pecuaristas estão
retirando o rebanho bovino das fazendas na área da Estação
Ecológica da Terra do Meio (PA), antes mesmo de receber a
notificação. A finalidade da ação
voluntária é evitar multas, apreensões e processos judiciais.
O pecuarista Alessandro Gonçalves, conhecido pelo apelido de
“Batata”, disse que os fiscais do Ibama foram à sede da
propriedade e pediram para retirar o gado que está na área
da Estação Ecológica da Terra do Meio. Gonçalves
está retirando o primeiro lote de gado antes da notificação
porque, segundo ele, ao receber o documento o Ibama
dá um prazo de apenas 15 dias para o deslocamento. Ele alega que uma quinzena é insuficiente, pois ainda há outro lote para retirar da área.
“Estou me antecipando
devido a essa covardia que fizeram com o Lourival Medrada [que
teve o gado apreendido pelo Ibama e vai perder toda a infra-estruta
construída na fazenda], para não acontecer isso
outra vez”, afirma o pecuarista, alegando que esta não é
a melhor época para se retirar o gado, porque falta água,
as pastagens ao longo da estrada estão secas e os bois vão
morrendo de fome e de sede.
Ele informa que o custo
de retirada do primeiro lote de vacas (935 cabeças), que já está na estrada, vai
passar de R$ 10 mil e que já morreram 18 bois. Os pecuaristas não
esperavam a estiagem que está ocorrendo este ano na região.
“Estamos há quase 80 dias sem chuva e nunca ficou um mês sem
chover aqui antes”, disse o colono Gilberto Alves Olímpio,
que há seis anos comprou um terreno na Terra do Meio.
A infra-estrutura e a
logística para a retirada do rebanho são precárias.
A única via de acesso a São Félix do Xingu é uma estrada de terra. Um
caminhão carregado com 18 cabeças de gado demora dois dias para cada viagem, se tudo correr bem. As estradas são esburacadas e com pontes
improvisadas com troncos e "pranchões" atravessados sobre os
córregos. Não existe ponte de concreto armado, todas
são de madeira, e com o peso dos caminhões duram pouco.
O frete sai caro para quem paga e,
mesmo assim, não cobre os custos de quem recebe. É o
caso do motorista Sebastião Marques, que tombou o caminhão,
quando transportava 18 bois e bloqueou a estrada por mais de 12
horas. “O frete aqui na região não pode ser menos de
R$ 4 por quilômetro rodado”, explica Marques.
Hoje, o quilômetro
está em R$ 3,50, mas os frigoríficos insistem em pagar
apenas R$ 2,50. De acordo o motorista, o valor não
cobre as despesas com combustível – o litro de óleo
diesel custa mais de R$ 3 na Vila Central, único posto de
abastecimento na estrada que vai para a Terra do Meio. Cada viagem
custa aproximadamente R$ 2,2 mil, dependendo da distância em
que estiver o gado.
A matéria foi alterada para corrigir informação.
|
|