Antonio Cruz/ABr
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Brasília - Advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, secretário executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, consultor jurídico do Ministério da Justiça Rafael Favetti e o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, participam de seminário sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol. O simpósio discute aspectos históricos e etnográfico referentes à área, como direitos indígenas, meio ambiente, soberania e faixas de fronteira
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Brasília - Não cabe ao
Poder Judiciário analisar o mérito da demarcação
da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. O
entendimento é do advogado-geral da União, José
Antonio Dias Toffoli, ao falar na abertura de um simpósio que
reúne representantes do governo, especialistas e juristas para
discutir sobre a reserva. O evento acontece durante todo o dia de
hoje (4), no Ministério da Justiça.
O julgamento da
ação que questiona a demarcação contínua
da reserva no Supremo Tribunal Federal (STF) está previsto
para ocorrer no próximo dia 27. Para Toffoli, o Judiciário
deve analisar se o processo demarcatório ocorreu dentro da
legalidade, mas a responsabilidade para dizer se a terra é ou
não reserva indígena é da Fundação
Nacional do Índio (Funai).
“A Justiça pode
analisar se o processo de demarcação seguiu os trâmites
legais. Mas a análise da tradição de ocupação
daquelas terras pelos índios, isso a legislação
brasileira delegou à Funai. Não é que o
Judiciário não possa fazer essa análise. É
que, não cabe ao Judiciário dizer, do ponto de vista do
mérito da questão, se a terra é ou não
ocupada por índios. Cabe analisar se houve o procedimento
correto e adequado da homologação”, defendeu
Toffoli.
O consultor jurídico do Ministério da
Justiça, Rafael Thomaz Favetti, concorda com a interpretação
do advogado-geral, e prevê que a decisão do Supremo vai
abrir precedentes para todos os outros processos de demarcação
de terras indígenas.
“O STF irá dar um novo modelo
de como devem ser feitas as demarcações de terras
indígenas no país. Esse modelo parte de questões
desde como se dá a homologação pelo Ministério
da Justiça, como deve ser feito o laudo antropológico,
como deve ser dada a ampla defesa, como deve ser dado o
contraditório, como o presidente da República deve ou
não decretar área indígena, como deve ser dada
as indenizações. Tudo isso o Supremo vai analisar e dar
um novo modelo para o Brasil de como devem ser feitas as
demarcações”, afirmou Favetti.
A possibilidade de
o Supremo criar um precedente sobre demarcações de
terras indígenas preocupa o secretário-executivo do
Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto.
“Ela
preocupa porque pode, sim, gerar algum precedente, e a partir daí,
gerar uma enxurrada de ações judiciais que poderiam
tentar rever demarcações já feitas. Mas achamos
que no Supremo o debate está posto de maneira adequada, e
desta forma temos que colocá-lo com a sociedade. A falta de
conhecimento do assunto e o preconceito sobre a questão
indígena pode conturbar esse debate e acabar por prejudicar o
entendimento preciso dessa causa”, disse Barreto.
O presidente
da Funai, Márcio Meira disse que caso o Supremo se pronuncie
contrário à demarcação contínua
“seria uma perda dos direitos constitucionais dos índios.
“Portanto nós queremos que esse direito seja garantido pela
manifestação do STF. Essa é a nossa expectativa
e nós promovemos esse debate para que a população
possa ter acesso a essas informações de forma
qualificada”, disse.
O líder dos Macuxi, uma das tribos
que vivem na Raposa Serra do Sol, Jacir José de Souza, disse
que o clima na reserva, neste momento, é de união, e
que caso a decisão do STF seja contrária aos interesses
dos índios, eles permanecerão no local porque não
têm para onde ir.
“Nós ali estamos todos unidos
pelos indígenas. Falam que estamos divididos, não é
verdade. Depois que recebemos a homologação pelo
governo federal, nos aproximamos todos para saber como deve ser o uso
da terra”, disse, completando que acredita na vitória dos
índios no STF “porque o governo já definiu, já
foi olhar com sobrevôo e acredito que vai afirmar o que foi
feito”.