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Brasília - A criação
de um sistema capaz de garantir que, mesmo numa eventual mudança
de emprego, o tomador de empréstimo consignado continue a
pagar a dívida com desconto em folha seria uma solução
para aumentar a participação do trabalhador do setor
privado nesse segmento de crédito. A conclusão está
em artigo publicado no Relatório de Economia Bancária
e Crédito do Banco Central, divulgado recentemente.
Segundo o documento anual, referente a 2007, o
montante dessas operações contratadas pelos
trabalhadores do setor privado tem ficado na faixa de 13%. O motivo
apontado é a falta de estabilidade no emprego.
A proposta dos autores do relatório, que
são funcionários do BC, seria alterar a legislação
para permitir que os credores pudessem saber de imediato e com baixo
custo quando um trabalhador do setor privado mudasse de emprego.
No período de desemprego, ou de transição
entre empregos, poderia haver aumento dos juros cobrados dos
clientes. “Como a operação deixou de ser
caracterizada como de crédito consignado, passando a ter
características de crédito pessoal convencional, a taxa
de juros deveria ser maior que no período de débito em
folha, inclusive servindo como estímulo para que o devedor
reporte logo o novo emprego e seus pagamentos voltem a ser debitados
em folha”, diz o relatório.
O documento também ressalta que o crédito
consignado, caracterizado por taxas mais baixas para o tomador e com
risco de crédito menor para a instituição
financeira, tem mais vantagens que o empréstimo pessoal
convencional.
De acordo com o relatório, ao conceder um
empréstimo consignado, além das exigências
cadastrais adicionais (histórico de crédito e renda,
por exemplo), o banco deve estimar o valor da indenização
que caberia ao cliente em caso de demissão involuntária
ou sem justa causa. Isso é necessário para verificando
se o montante é suficiente para saldar a dívida ou a
sua maior parte em caso de demissão involuntária e sem
justa casa. O documento lembra que até 30% dessa indenização
poderão ser usados para saldar o saldo devedor do crédito
consignado existente.
O texto publicado no relatório do Banco
Central é assinado por três funcionários da
instituição: Victorio Yi Tson Chu; Eduardo Luís
Lundberg e Tony Takeda. O BC ressalta que os conceitos e sugestões
expressos no artigo são de responsabilidade dos autores e não
refletem a opinião da autoridade monetária.
De acordo com dados do Banco Central de junho
deste ano, o crédito consignado chegou a R$ 72,699 bilhões
no total, sendo que o saldo de R$ 62,775 é referente a
concessões para funcionários públicos e R$ 9,924
bilhões a trabalhadores do setor privado.
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