|
Rio de Janeiro - O presidente do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano
Coutinho, defendeu hoje (5) a permanência da Taxa de Juros de
Longo Prazo (TJLP) na atual faixa de 6,25% ao ano. A TJLP, usada pelo
BNDES em operações de financiamento, foi mantida
estável nesse patamar durante a reunião do Conselho
Monetário Nacional, em julho.
Coutinho rebateu os economistas que afirmam que
manter estável a TJLP, enquanto a taxa básica de juros
(Selic) sobe, tira um pouco da eficácia da política
monetária. Segundo ele, investimentos firmes criam capacidade
e estabilizam o nível de uso de capacidade.
“O amadurecimento dos investimentos feitos nos
últimos dois anos é que tem permitido a estabilização
do nível de uso de capacidade.” Para Coutinho, a
continuidade dos investimentos é importante para manter a
estabilidade ao longo do tempo.
Ele disse que a criação de
capacidade produtiva representa a criação de oferta
futura, conciliando crescimento e produto potencial e estabilidade.
Os investimentos necessitam de financiamento de longo prazo e, por
isso, é importante manter uma taxa de juros de longo prazo que
estimule o investimento. “Porque ela [taxa] contribuirá
para a estabilidade de preços.”
Luciano Coutinho afirmou também que a
inflação vai voltar para as metas. Por isso, ressaltou,
é olhar “para isso de maneira um pouco mais paciente e
coerente com a própria política de controle da inflação
que está sendo perseguida pelo Banco Central”.
Ele atribuiu a razões históricas
relacionadas à dívida mobiliária a elevada taxa
de juros praticada no Brasil. “[Essa dívida] é
muito alta e muito curta e precisa ser equacionada de forma mais
adequada à realidade de um país que já tem grau
de investimento.” Essa classificação, dada ao Brasil
este ano pelas agências de rating
(classificação de risco) Standard&Poor’s e Ficth Rating, considera o país
como um bom pagador. “É um pouco uma herança
histórica de um processo que foi muito difícil de
estabilização.”
Segundo Coutinho, o
Brasil ainda precisa consolidar o processo de crescimento econômico
com segurança e avançar em termos de finanças
públicas e de gestão da dívida mobiliária
para ser considerado totalmente isento de riscos para
investimentos. “Temos ainda muitos avanços a fazer, mas o
importante é que a direção e a firmeza da
política macroeconômica brasileira vão levar à
melhoria do nosso rating. Quanto mais favorável é
o rating, melhor para toda a economia”, afirmou.
Para minimizar o descompasso entre a
oferta e o conjunto da demanda, que inclui investimentos, consumo e
gastos do governo, Coutinho entende que uma “ligeira”
desaceleração da economia seria positiva para o
controle da inflação. Para ele, tal desaceleração
estará em curso a partir dos movimentos já feitos pelas
políticas monetária e fiscal para combater a inflação.
O presidente do BNDES disse ainda
que, do lado da oferta, a produção industrial,
principalmente a indústria de bens de capital, vem
apresentando crescimento satisfatório. “Os investimentos têm
crescido e se mantido de maneira firme” Luciano Coutinho participou
hoje, no Rio, de seminário promovido pela Associação
e Sindicato dos Bancos do estado.
Matéria ampliada
|