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Brasília - O processo de
demarcação e titulação de uma área
quilombola da Ilha da Marambaia, na Baía de Sepetiba, no Rio
de Janeiro, ainda está em curso, mas a Secretaria Especial de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial
negocia com a Marinha a implementação de programas
sociais para atender as cerca de 100 famílias que vivem no
local.
Esta tarde (5), o
ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, se reuniu com o ministro
da Defesa, Nelson Jobim, e com representantes do Comando da Marinha,
a quem pediu o apoio para que as ações possam ser
executadas.
Segundo o ministro,
ficou acertado que as ações sociais começarão
em 30 dias.
“Pretendemos entrar
com uma agenda social para atender a comunidade, fornecendo energia
elétrica, programas de geração de renda, saúde
e educação para melhorar as condições de
vida das pessoas”, disse Santos à Agência Brasil.
O principal objetivo do
encontro era “destravar” a realização de programas
de desenvolvimento social – a exemplo do Programa Luz Para Todos -,
porém Santos deixou a reunião convencido de que o
Ministério da Defesa auxiliará no entendimento entre o
governo e a comunidade, permitindo a “demarcação da
área a que os quilombolas têm direito”.
“Junto com o
Ministério da Defesa, vamos tratar do processo de demarcação
da área. Houve convergência no encaminhamento destas
questões. Acho que o que falta é o estabelecimento do
diálogo entre as partes para que a gente possa avançar
na titulação e na assistência à comunidade
de Marambaia”, informou o ministro Santos.
A maioria dos moradores
do local descende de escravos e reivindica que pelo menos um quinto
da ilha seja reconhecida como área remanescente de quilombo. A
Marinha, por sua vez, diz que a área em questão é
estratégica, podendo inclusive vir a abrigar uma futura base
de submarinos nucleares ou convencionais de grande porte.
Em 2004, a Fundação
Cultural Palmares reconheceu a área como quilombola. Em março
de 2007, o juiz federal Raffaele Felice Pirro, de Angra dos Reis,
avalizou a reivindicação dos moradores. Porém em
agosto do mesmo ano uma decisão do Tribunal Regional Federal
da 2ª Região, que abrange o Rio de Janeiro e o Espírito
Santo, suspendeu parcialmente os efeitos da sentença. A
questão então passou a ser analisada pela
Advocacia-Geral da União (AGU).
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