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Brasília - Daqui a dois anos, o
governo brasileiro terá condições de oferecer a
funcionários de alguns setores privados e a servidores
públicos federais, estaduais e municipais a declaração
do Imposto de Renda Pessoa Física já pronta. Caberá
ao contribuinte concordar ou discordar do imposto já calculado. Nesse caso, ele deve fornecer as informações
necessárias para a correção.
Inspirado em um sistema implantado no
Chile, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro)
está desenvolvendo o processo no Brasil. Segundo o diretor-presidente do Serpro, Marcos Mazoni, para setores que já
operam com a nota fiscal eletrônica (automobilístico,
fumageiro e indústria farmacêutica), falta implantar a
escrituração eletrônica, que deve começar
a funcionar no próximo ano.
“Queremos entrar no próximo ano
com a escrituração eletrônica em operação.
Isso vai substituir os livros de contabilidade das empresas e nos
colocar em condições, pelo menos no mundo
empresarial, de ter o Imposto de Renda pronto, como hoje ocorre no
Chile. Isso é um trabalho de dois anos, porque atualmente já
podemos oferecer para todos os funcionários públicos”,
destacou.
O contribuinte chileno recebe do governo a
declaração do Imposto de Renda já montada,
incluindo o imposto a pagar ou a restituir. Cabe ao contribuinte
concordar ou discordar, apresentando o que realmente foi pago ou
recebido. Isso é possível porque o governo tem
informações sobre o que foi pago de imposto e sobre o
que cada um recebeu, além de um controle sobre as
movimentações patrimoniais. “É uma experiência inovadora, uma experiência em que podemos nos espelhar para melhorar a
nossa”, afirmou Mazoni.
No caso dos funcionários
públicos, disse ele, seria preciso apenas sincronizar as bases de dados.
“O Serpro já é responsável pela folha de
pagamento. Também saem das máquinas do Serpro aquelas
declarações de quanto cada funcionário recebeu
por ano. Então, é possível fazer de forma direta
e ofertar o imposto de renda pré-pronto. Quanto aos
funcionário estaduais e municipais, é uma questão
de sincronismo das bases de dados.”
Mazoni destacou que, para o setor privado, a nota
fiscal eletrônica e a escrituração eletrônica
permitirão que se saiba quanto e a quem cada empresa pagou. No
entanto, ainda é necessária uma articulação
com cartórios para obter informações sobre a
variação patrimonial. Quando a escrituração
eletrônica estiver montada, será possível saber
quanto as empresas pagaram às pessoas, explicou. “Ainda é
necessário sincronizar os fluxos com cartórios. O
quanto se pagou é fácil, a variação
patrimonial é que é mais complicada.”
O governo pretende ampliar a cobertura dos
sistemas eletrônicos para outros setores privados da economia.
“A nota fiscal eletrônica está em atividade, mas ainda
está sendo implantada por segmentos. À medida que aumentam
os segmentos abrangidos, vamos cobrindo mais as relações
econômicas no Brasil. Estamos, desde o ano passado, com a nota
fiscal eletrônica operando em segmentos bastante pesados.
Então, já representa um volume grande”, destacou.
Os sistemas para declaração do
Imposto de Renda pela internet implantados no Brasil foram
desenvolvidos pelo Serpro. Neste ano, 24 milhões de pessoas
declararam sua movimentação pela internet num
prazo de três meses. De acordo com Mazoni, se for considerando
o número de pessoas que usaram o sistema, esse prazo pode ser
considerado muito rápido. “A Itália, por exemplo, está se
preparando para fazer isso no ano que vem, para atender a 7 milhões
de contribuintes. O governo italiano imagina fazer esse atendimento
em 12 meses”, comparou.
Outra inovação é a opção
que o contribuinte tem de testar o imposto, ou seja, as pessoas podem
simular se preferem fazer a declaração pelo modo
simplificado ou pelo modo completo e optar por pagar menos imposto.
“Não se trata de ajudar as pessoas a pagar menos e sim de
ajudar a pagar o que é justo. Com isso, aumenta a base de
contribuintes, pois menos pessoas precisam fugir do imposto”,
explicou Mazoni.
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