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7 de Agosto de 2008 - 15h40 - Última modificação em 7 de Agosto de 2008 - 15h40


Argentina deve pegar carona e aproveitar bom momento vivido pelo Brasil, diz analista

Paula Laboissière
Enviada especial

 
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Buenos Aires - A Argentina deve deixar para trás os desentendimentos durante a Rodada Doha e aproveitar o bom momento vivido pelo Brasil em âmbito internacional. A avaliação é do analista econômico Dante Sica, ex-secretário de Indústria da Argentina e analista econômico especializado na relação entre os dois países.

De acordo com o analista, o governo de Cristina Kirchner [presidente da Argentina] precisa compreender melhor o novo alinhamento da política internacional brasileira, para que possa “engatar” sua própria política externa.

“Teremos muito mais a ganhar em termos de conjunto e de posição diferenciada. Deve-se abrir uma nova etapa de discussão a partir disso, no Mercosul. Devemos reconhecer em todos os países as necessidades de política externa, de se abrirem à esse novo mundo que está dando uma oportunidade muito grande para a América Latina, e tratar de aproveitar – tanto em nível de política interna como externa – as oportunidades.”

Dante destaca que o Brasil conta, atualmente, com estratégias voltadas para política externa com caráter ofensivo, enquanto a Argentina permanece com táticas defensivas e protecionistas, o que gera diferenças marcantes quando se trata de posicionamento internacional.

“Lamentavelmente, a Argentina tem uma política interna que muitas vezes dificulta poder ascender com mais força ao mercado internacional. É o caso da suspensão de algumas exportações como o trigo para o Brasil. São restrições que colocaram aqui, e nesse sentido a Argentina precisa fazer mais esforço. Quando se analisa e compara com anos anteriores, a Argentina está muito exilada do contexto internacional”, disse.

Ele acredita que o Brasil, como o maior parceiro da Argentina no Mercosul, pode ajudar os argentinos a romper o “isolamento internacional”.

Ao comentar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Buenos Aires, no último domingo (4), o analista reforça que o líder brasileiro, acompanhado por uma delegação de empresário com interesse no mercado argentino, abriu caminho para uma maior integração regional.

“É uma aposta ao governo argentino e um sinal de que as diferenças nas negociações durante a Rodada Doha não empatam o que são as relações entre os países. O Brasil tem a possibilidade de jogar muito mais forte em termos de integração regional e nos chama a ter uma aliança”, avalia.

Para Dante, tanto a Argentina como o Brasil devem estar atentos aos problemas energéticos manifestados na América do Sul sob o ponto de vista regional, além de fazer esforços junto ao Uruguai e ao Paraguai para buscar uma saída “politicamente confiável”, aproveitando os recursos energéticos bolivianos e integrando-se ao Chile e ao Peru.

“Temos que utilizar esses acordos bilaterais para fazer um programa muito forte de integração de infra-estrutura regional. Nossos países têm integração física, por meio de marcos ferroviários e de aerovias, mas devemos avançar em um projeto que vai melhorar a competitividade entre as empresas e acelerar a melhoria da circulação de bens”, defende.

Ele elogia o acesso ao financiamento internacional conquistado pelo Brasil e ressalta que tal êxito, somado ao poder de compra da moeda brasileira, permite que muitos empresário ingressem em solo argentino.

Nos últimos quatro anos, segundo Dante, o Brasil se transformou no primeiro país de origem de capital na Argentina em setores como o têxtil, de calçados, o eletrônico e o automobilístico.

“São setores onde, historicamente, a Argentina tem tido problemas e, hoje, a disputa comercial acaba sendo diluída pela forte participação do Brasil em nosso processo de produção. Acredito que a visita de Lula permite visualizar melhor o impacto econômico dos empresários brasileiros na Argentina. Eles não apenas compram empresas, mas geram novas empresas, integram capital e abrem muitos postos de trabalho para o nosso país. É uma nova etapa que temos no Mercosul.”




 


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