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Brasília - A ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas
de Promoção da Igualdade Racial Matilde Ribeiro poderá
ter de devolver cerca de R$ 160 mil gastos irregularmente com cartão
corporativo na época em que ocupou o ministério. Ela
também pode responder a uma ação de improbidade
administrativa, proposta pelo Ministério Público no
Distrito Federal.
Matilde Ribeiro usou o cartão corporativo
para pagar despesas de viagens e compras num free shop. O
Ministério Público, ao propor a ação,
alegou que as despesas, ocorridas entre 2006 e 2007, deveriam ter
sido licitadas. O processo está sob análise na 16ª Vara de Justiça Federal no Distrito Federal.
No fundamento da ação, a procuradora
Ana Carolina Roman, afirma que o cartão corporativo só
pode ser usado em caso de despesas excepcionais e imprevistas. E cita
auditoria feita pela Controladoria-Geral da União (CGU) que
analisou os gastos com hospedagem e viagem da então ministra.
Segundo a procuradora, a CGU constatou que quase a
totalidade (94%) dos gastos com transporte, o equivalente a R$
120.281, foram pagos a uma única empresa de locação
de veículos. "A mera descrição do fato
demonstra que os gastos com locação de veículos
não podem ser considerados eventuais, nem mesmo imprevistos,
de forma que esse serviço deveria ter sido, necessariamente,
objeto de licitação. Não se pode conceber, de
acordo com a disciplina constitucional e legal das compras da
Administração Pública, que a escolha do
fornecedor de serviços pagos com dinheiro público seja
feita com base unicamente na vontade do administrador",
justificou a procuradora.
No que se refere à hospedagem, a
procuradora alega que a ministra sempre se hospedava nos mesmos
lugares, o que também justificaria uma licitação.
"A ré, no cumprimento de sua agenda de trabalho, tinha
como destino praticamente as mesmas cidades (São Paulo, Rio de
Janeiro e Salvador, principalmente) e nessas, utilizava-se sempre dos
mesmos estabelecimentos para hospedar-se e instalar sua estrutura
ministerial. Surge também nesse ponto a cristalina constatação
da necessidade de realizar licitação para atender às
necessidades de hospedagem da referida Secretaria Especial, o que,
com certeza, representaria uma medida mais econômica para a
Administração", alegou.
A procuradora pede que a ministra dê
explicações em 15 dias e que ela devolva R$ 160.707,96
com transporte e hospedagem ao erário.
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