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Brasília - Encenar situações
da vida real em pequenas peças foi a forma que agentes
comunitários de João Pessoa, capital da Paraíba,
encontraram para ensinar bons hábitos de saúde às
pessoas da comunidade onde eles vivem e trabalham. É o projeto
Agente Ator Comunitário de Saúde, o segundo colocado na 3ª Mostra Nacional de Experiências
em Saúde da Família, em uma das três categorias
avaliadas no concurso.
“A gente trabalha com as temáticas
da unidade [de saúde onde trabalham]: pré-natal,
amamentação, gestação. A gente faz a
encenação dentro dessa temática e o mais
importante é que envolve também a ação
do dia-a-dia da comunidade, uma situação da vida real
que a gente traz para a encenação”, diz o agente de
saúde Alecsandro Pereira de Melo.
No final de
2003, Ana Carla e Alecsandro Pereira de Melo, deram início à experiência no bairro de
Mangabeira, um dos maiores da capital paraibana. Também participam da ação médicos,
enfermeiros e auxiliares das quatro equipes de saúde da
família do bairro. Os resultados
positivos já aparecem, seja na participação da comunidade nos
eventos da unidade de saúde, seja no cuidado das pessoas com a
própria saúde.
“Quando a gente chega na casa
de uma Maria ou de um João, a coisa se torna mais fácil,
eles já sabem como têm de fazer”, revela Alecsandro. “É
muito gratificante esse trabalho, porque eu estou fazendo o que gosto, o pessoal também. Além desse trabalho como
agente comunitário, o pessoal está tendo o retorno da
comunidade, que é muito importante”.
A
experiência em João Pessoa é um dos 1.940
trabalhos inscritos para concorrer aos prêmios da mostra e um dos quase quatro mil que estão sendo
apresentados no evento, que comemora os 20 anos do Sistema Único
de Saúde (SUS) e os 15 anos da Estratégia Saúde
da Família (ESF).
“Nossa idéia é
propiciar a troca de experiências sobre as diversas situações
que essas equipes de saúde enfrentam no Brasil de acordo com a
realidade em que são implantadas”, explica Toni
Silveira, coordenador do evento. Entre os trabalhos apresentados,
estão relatos não só de agentes comunitários
de saúde, mas também de equipes da Saúde
da Família e estudos sobre a estratégia, desenvolvidos
por secretarias, universidades e outras instituições.
“A grande riqueza [da mostra] é que você
compartilha o olhar da academia e de quem faz a mudança da
saúde do povo brasileiro”, o que possibilita afinar o olhar
dos acadêmicos e o que é feito pelo Estado por meio das
políticas públicas.
Outra experiência que
está sendo apresentada é a de Maringá (PR). Em
uma das unidades de Saúde da Família, foi desenvolvido
um trabalho de prevenção de gravidez na adolescência.
Além de discutir os métodos anticoncepcionais e o risco
das doenças sexualmente transmissíveis, foi entregue um
pintinho para cada casal de adolescentes que participou, para que
eles levassem para casa e cuidassem dele por sete dias.
De
acordo com o secretário de Saúde do município,
Antônio Carlos Nardi, os depoimentos foram muito sinceros. Os
jovens falaram do trabalho que tiveram para cuidar daquele pequeno
ser e para suprir suas necessidades. Alguns morreram, "outros eles deixaram morrer e
compraram outro para levar e não se sentiram envergonhados
perto do grupo, vendo o problema que é o adolescente ser pai e
mãe.
Para Nardi, "isso foi extremamente positivo" e permitiu reduzir a gravidez na adolescência naquela
comunidade. Naquele grupo, foi registrada uma redução
de 30% nos casos de gravidez precoce, em um ano de trabalho. O
secretário diz que o desafio agora é levar a
experiência para outras unidades da cidade, para conseguir
fazer com que o índice realmente caia em Maringá.
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