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Manaus - A direção
da Santa Casa de Belém informou hoje (7) que a
taxa de mortalidade neonatal na instituição caiu
mais de 7% em julho, em comparação ao mês
anterior. Na avaliação da diretoria do hospital, a
diminuição no número de mortes é
resultado das ações desenvolvidas para resolver problemas ligados à saúde pública no Pará, que ganharam repercussão nacional com a morte de 253 bebês, de janeiro a junho deste ano, na Santa Casa. Nesse período, a taxa de mortalidade neonatal
atingiu o percentual de 21,7%.
Como parte das ações para rerverter a situação, médicos, enfermeiros e
fisioterapeutas do setor de neonatologia da Santa Casa participaram, na semana passada,
de um treinamento promovido por especialistas do Instituto Materno
Infantil Professor Fernando Figueira de Pernambuco (Imip). Durante o
curso, eles foram orientados e atualizados sobre procedimentos
voltados ao tratamento de recém-nascidos.
O treinamento foi recomendado pelo Ministério da Saúde. O instituto de Pernanbuco foi escolhido para coordenar o curso por ser um centro de referência nacional para programas de
assistência integral à saúde da mulher e da
criança. Além disso, o Imip também é um centro
colaborador para qualidade da gestão e assistência
hospitalar credenciado pelo ministério.
De acordo com a assessoria de comunicação da Santa Casa, outras
iniciativas relacionadas à reestruturação dos
berçários e UTI também estão sendo
tomadas desde o mês de junho, como a contrataçã, pela Secretaria de Saúde Pública do Pará
(Sespa), de 20 leitos de UTI (dez em Belém e dez em
Ananindeua). A expectativa é que os investimentos realizados
pelo poder público tragam melhorias às condições
de transporte de bebês do interior do estado para o hospital e contribuam para a implantação de Unidades de Cuidados
Intermediários para recém-nascidos em municípios
considerados pólos. A perspectiva é que também seja garantido o acesso
das grávidas ao pré-natal de qualidade em todo o estado
possam. As autoridades do setores que isso resulte, a médio e longo prazos, em uma redução ainda maior do percentual de mortes de crianças no
hospital.
No próximo dia 19, a Procuradoria da União no Pará vai discutir a
situação da Santa Casa de Belém com as
secretarias de Saúde do estado e de Belém.. De
acordo com a procuradora regional dos Direiros do Cidadão,
Ana Karízia Teixeira, a situação do
hospital e também da saúde pública no Pará
vem sendo particularmente observada este ano pela Procuradoria por causa dos problemas descobertos com o alto índice
de mortalidade de crianças na Santa Casa de Belém. A reunião foi convocada pela Procuradoria e
objetiva contribuir para a melhoria do sistema público de
saúde no estado. Segundo a procuradora, se os problemas não
forem resolvidos, o caso pode resultar numa ação
judicial. "Queremos resolver isso extra-judicialmente e essa
reunião é justamente para que possamos encontrar uma
solução para os problemas que atingem a Santa Casa, mas que
estão relacionados a outras deficiências da saúde
pública no estado", assinalou a procuradora. "Vamos ouvir as duas secretarias sobre as
medidas que estão sendo tomadas para reverter essas questões.
Já nos reunimos com a direção do hospital e
estamos com as propostas de adequação que eles fizeram.
A partir de agora, vamos propor a criação de outros
leitos de UTI, seja em hospitais públicos, seja por meio
de convênios com instituições privadas, e a
disponibilização imediata de novos leitos em UTI e em
unidades de cuidados intermediários", antecipou.
Ainda segundo Ana Karízia, as propostas a
serem sugeridas na reunião também têm como base o
relatório apresentado em julho pelo Departamento Nacional de
Auditoria do Ministério da Saúde (Denasus). Na
avaliação do Denasus, o maior problema da saúde
pública no Pará está na falta de assistência
à atenção básica no interior do estado.
"Já não é mais segredo que as muitas mães
não têm pré-natal e as crianças nascem sem
o acompanhamento devido", lamenta.
"Infelizmente, o
problema atinge o estado de modo geral. Recentemente, fizemos uma
inspeção em seis unidade de saúde de Belém
para verificar as condições do atendimento às
gestantes e constatamos que em todas faltavam medicamentos
básicos. Nosso trabalho resultou não só na
descoberta e denúncia, mas também nas recomendações
para reposição imediata desses remédios",
acrescenta Ana Karízia.
De acordo com a Procuradoria da
União no Pará, as condições de
atendimento nas unidades de saúde pública do interior
do estado estão sendo acompanhadas por outras representações
da Procuradoria nesses municípios e pelo Ministério
Público Estadual, sobretudo em 15 deles, de onde provêm
a maior parte dos pacientes encaminhados à Santa Casa de
Belém. "Eles assinaram um termo de compromisso com a
Santa Casa se comprometendo a avisar o hospital sempre que forem
encaminhar algum paciente. Eles não costumavam avisar.
Colocavam o paciente na ambulância e o mandavam diretamente
para Belém. Isso era um grande problema e impedia que a Santa
Casa fizesse o preparo necessário para rceber qualquer
paciente", conta. Entre os municípios que mais enviam
pacientes para a Santa Casa de Belém estão Marabá,
Altamira e Santarém.
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