|
Rio de Janeiro - Cerca de 700 oficiais
da Marinha, Exército e Aeronáutica se reuniram hoje
(7), no Clube Militar, no Rio de Janeiro, para protestar contra a
possibilidade de revisão da Lei de Anistia, que pode levar à
punição de acusados de torturas e outros crimes contra
presos políticos durante o regime militar.
Na platéia,
estavam o comandante do Comando Militar do Leste, general Luiz
Cesário da Silveira Filho, e o coronel da reserva Carlos
Alberto Brilhante Ustra. O militar da reserva é acusado por
entidades de direitos humanos de ser um dos torturadores do Doi-Codi
(Departamento de Operações de Informações
– Centro de Operações de Defesa Interna) de São
Paulo. O Doi-Codi foi um órgão de repressão aos
militantes que se opuseram à ditadura. Nenhum dos dois quis
falar com os jornalistas, limitando-se a dizer: “Nada a declarar”.
Em nota divulgada ao
final da reunião, os militares dizem que “causou espanto a
extemporânea e fora de propósito iniciativa de
ministros do atual governo de se voltar a discutir uma lei cujos
efeitos positivos se faziam sentir há bastante tempo. Foi um
desserviço prestado ao Brasil e com certeza ao próprio
governo a que pertencem”.
O texto afirma ainda
que “se houvesse mesmo interesse em debater problemas nacionais, os
dois ministros deveriam optar por algo mais atual e que incomoda em
maior intensidade: os inúmeros escândalos protagonizados
por figuras da cúpula governamental, ou ainda mais
recentemente a gravíssima suspeita de envolvimento de alguns
deles com as Farc".
A nota não
menciona os nomes dos ministros a que se refere, mas, segundo o
presidente do Clube Militar, general da reserva Gilberto Figueiredo,
eles são os da Justiça, Tarso Genro, e dos Dirteitos
Humanos, Paulo Vanucchi.
Na saída do
evento, manifestantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e
do grupo Tortura Nunca Mais protestaram na porta do Clube Militar e
chegaram a bater boca com participantes da reunião.
O
deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), capitão reformado do
Exército, irritou-se e xingou os manifestantes, dizendo: “O
único erro foi torturar e não matar”.
|
|