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7 de Agosto de 2008 - 20h21 - Última modificação em 7 de Agosto de 2008 - 20h21


Formação de professor diferencia desempenho de universidades no Enade, diz especialista

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O bom desempenho dos cursos de universidades públicas no Exame Nacional de Desempenho (Enade) do ano passado é conseqüência da formação dos professores e do rigor na seleção dos alunos. A avaliação é da professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Bertha do Valle.

“As universidades públicas levam vantagem sobre as particulares porque, além de terem um corpo docente formado por mestres e doutores, os vestibulares para as públicas são muito rigorosos. Então, nós recebemos os melhores alunos que o ensino médio produziu. A nossa matéria-prima já é selecionada, o que não ocorre nas particulares. Muitas nem fazem o vestibular”, disse, em entrevista à Rádio Nacional.

Os números do Enade, divulgados ontem (6) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mostraram uma maior concentração de cursos com as notas mais altas entre as universidades e faculdades públicas. Por outro lado, a maior parte dos cursos com as notas mais baixas está nas instituições privadas.

A professora lembra que o maior problema do Brasil no campo da educação ainda está no ensino fundamental. “Mesmo os alunos que fazem vestibular para universidades públicas às vezes apresentam deficiências de ortografia e de raciocínio matemático que espantam”, relata.

Para Lighia Matsushigue, do Grupo de Trabalho de Política Educacional do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), o resultado do Enade, que mostra deficiências em grande parte dos cursos de universidades particulares, é conseqüência do mercantilismo no ensino superior. “O resultado decorre de uma anomalia apenas tolerada em países considerados periféricos, que é uma absoluta dominância do setor mercantil na educação superior”, diz.

Ela diz que o Enade não é adequado para avaliar o ensino superior e não ajuda a resolver a qualidade da educação. Matsushigue defende a valorização dos professores, para que seja possível haver um quadro docente estável nas instituições.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf, disse que não ficou surpresa com o desempenho das instituições particulares no Enade. Segundo ela, é preciso regulamentar o ensino privado, para que as universidades particulares também possam oferecer um ensino de qualidade.

“É preciso um conjunto de leis que garantem que as faculdades só possam existir se atenderem uma série de requisitos, para que essas instituições caça-níqueis, descompromissadas com a educação que oferecem, e preocupadas apenas com o lucro de seus donos sejam obrigadas a fechar as portas”, defende.

Lúcia comemorou a implementação do Conceito Preliminar de Cursos (CPC), um novo indicador de avaliação que leva em conta, além dos resultados da prova do Enade, a infra-estrutura do curso, a titularidade dos professores e a avaliação dos alunos sobre o currículo. Para ela, essa foi uma vitória do movimento estudantil, que criticava a avaliação exclusivamente por meio de provas aplicadas aos alunos.

 


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