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Brasília - Estudo produzido pelo
Departamento de Saúde Indígena da Fundação
Nacional de Saúde (Funasa) nos distritos sanitários
especiais indígenas mostrou que os indicadores de ocorrência
de doenças e mortes nas comunidades tradicionais caíram
nos dois últimos anos. A mortalidade infantil indígena
atingiu em 2007 a menor taxa dos últimos oito anos: 46,7 para
cada mil nascidos vivos (em 2000 a taxa era de 74,61).
Entretanto,
os índices são tratados com cautela pela Funasa, já
que ainda permanecem altos. A taxa de mortalidade infantil indígena
é mais do que o dobro da média nacional, de 21,7 para
cada mil nascidos vivos. “Não é motivo de
comemoração, mas aponta para um controle que deve ser
intensificado. As políticas estão impactando os
indicadores, mas não pode haver descontinuidade”, disse o
coordenador geral de Atenção à Saúde
Indígena da Funasa, Flávio Nunes, em entrevista à
Agência Brasil.
Os casos de malária
registrados no primeiro semestre deste ano (11.841) regrediram 28% em
relação ao mesmo período do ano passado
(17.566). Segundo Nunes, 99% dos casos de malária entre índios
são registrados na Amazônia Legal, que concentra 60% da
população indígena brasileira. O fato se explica
por muitas comunidades estarem em áreas remotas, de difícil
acesso, menos favorecidas historicamente por políticas de
saneamento, habitação e serviços essenciais de
saúde.
O atual processo de desenvolvimento econômico
na Amazônia Legal também ocorre sem uma regulação
mais rígida, o que gera reflexos negativos para os índios.
As comunidades tradicionais têm vulnerabilidade maior ao
contato com doenças sexualmente transmissíveis e com
vetores (mosquitos transmissores de doenças).
“A
vigilância e o controle da malária contemplam elementos
que extrapolam o setor de saúde. Outros fatores interferem: a
expansão das fronteiras agrícolas, o uso de
agrotóxicos, a implantação de grandes
empreendimentos e o processo de urbanização, que
contribuem para a proliferação do vetor e expõem
a população daquela região a situações
de risco”, afirmou Nunes.
Para a Funasa, existe uma relação
direta entre práticas como desmatamento e reativação
de garimpos com os problemas de saúde da população
indígena. “Hoje observamos um recrudescimento da malária
em Rondônia, em áreas de atuação de
garimpo. Esses modelos de desenvolvimento têm que ser
observados com cuidado para não comprometer a qualidade de
vida da população”, defendeu o coordenador.
Segundo
Nunes, a queda no número de casos de malária e na taxa
de mortalidade infantil indígena foi possível com a
adoção de critérios objetivos na aplicação
dos recursos em programas de diagnóstico e tratamento. “As
decisões para investimento se basearam em informações
técnicas, e esse aperfeiçoamento do modelo de gestão
foi fundamental para alcançar as metas. É aplicar os
recursos onde precisa e não fazer regra de três, com
metade para cada um”, ressaltou.
Uma das apostas da Funasa
para que os índices continuem caindo, até com maior
rapidez, é a autonomia administrativa e financeira aos
Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Essa é
antiga bandeira das comunidades e deverá ser contemplada até
o fim de agosto por um decreto presidencial.
“A proposta
agora é que as autoridades sanitárias locais estejam
habilitadas para gerenciar recursos financeiros, materiais e humanos,
otimizando-os. Se é preciso fazer a remoção de
um paciente, atualmente a autorização tem que vir de
instâncias superiores. Com a autonomia, o gestor local poderá
tomar as decisões, o que vai melhorar a qualidade da
assistência prestada”, explicou Nunes.
O levantamento
da Funasa também revela números gerais sobre a
população indígena brasileira. A fundação
contabilizou no ano passado 488.411 índios de 210 etnias,
vivendo em 3.751 aldeias divididas entre 611 terras indígenas.
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