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Brasília - O relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) com as causas do acidente entre o Boeing da Gol e o jato Legacy ainda levará vários meses para ser concluído. A informação foi repassada por representantes do órgão, que se reuniram hoje (9) em Brasília com parentes dos 154 mortos no desastre, ocorrido em setembro de 2006.
No encontro, que teve a participação do brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Cenipa, e o presidente da Comissão de Investigação de Acidente Aeronáutico, coronel Rufino Antonio da Silva Ferreira, os parentes cobraram a entrega do relatório. Em julho, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, havia dito que o documento ficaria pronto em 20 dias.
Os oficiais do Cenipa informaram que, somente na última quinta-feira (7), o documento foi enviado aos Estados Unidos e ao Canadá para ser avaliado pela comissão que investiga o acidente no exterior. A resposta, de acordo com a legislação internacional, só virá em 60 dias. Após esse prazo, o relatório ainda precisa ser reavaliado pela Aeronáutica antes de ser divulgado, sem um prazo ainda definido.
A presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, Angelita de Marchi, considerou a reunião frustrante. “Eles mostraram os trabalhos realizados até agora, mas não apresentaram nenhuma nova informação que ajudasse a descobrir as causas do acidente”, criticou ela, após sair do encontro.
O Cenipa não constatou problemas no projeto do jato Legacy que bateu no avião da Gol nem encontrou defeitos no transponder (equipamento que previne colisões). O órgão também afirmou não ter encontrado falhas na cobertura do radar nem nos equipamentos de comunicação e vigilância aérea. “Se não havia nada de errado, então por que houve o acidente?”, questionou Angelita.
Quanto aos controladores de vôo, cuja atuação foi apontada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público como uma das causas do desastre, o Cenipa informou que a investigação não obteve avanços. Segundo o órgão, os profissionais que monitoravam o tráfego aéreo no dia do acidente foram orientados pelo advogado de defesa a não falarem.
A Aeronáutica informou ainda que parte do atraso na conclusão do documento se deve à inclusão, em janeiro, dos esclarecimentos dos pilotos norte-americanos Jan Paul Paladino e Joseph Lepore, que conduziam o Legacy e negaram terem desligado o transponder acidentalmente. O procedimento adiou o fim da investigação por mais três meses.
“Inicialmente nos haviam prometido a conclusão do documento para abril e que, dois meses depois, o relatório se tornaria público. Desde então, só temos enfrentado atrasos”, reclamou a presidente da associação dos parentes das vítimas.
Insatisfeita com o andamento dos trabalhos do Cenipa, Angelita disse que famílias dos mortos agora pretendem recorrer ao Ministério Público e à Polícia Federal para buscar mais respostas e pressionar pela vinda dos pilotos norte-americanos ao Brasil. “Eles precisam depor no país, em vez de serem apenas ouvidos por carta”, argumentou.
A Aeronáutica esclareceu que, na investigação do Cenipa, os pilotos foram ouvidos nos Estados Unidos, entre os dias 29 e 31 de janeiro. A associação de parentes defende que os condutores do Legacy sejam interrogados pessoalmente também no processo judicial.
Ampliada para acréscimo do último parágrafo.
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