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Brasília - Depois de ser confirmado no cargo, segundo a contagem prévia dos votos no referendo revogatório de mandato realizado ontem (10) na Bolívia, o prefeito do departamento de Santa Cruz, Rubén Costas, radicalizou seu discurso contra o governo, minimizou o apoio popular ao presidente Evo Morales e anunciou a implementação de leis regionais, segundo noticia a Agência Boliviana de Informação (ABI).
“Este governo insensível, totalitário, masista [referente ao partido governista MAS] incapaz nega o desenvolvimento ao povo e somente busca concentrar o poder e nos converter em mendigos. Atender os idosos com o IDH [Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos] continua sendo um pretexto da ditadura masista, a verdadeira intenção é destruir a autonomia departamental”, afirmou Costas.
Costas anunciou que a assembléia legislativa do departamento de Santa Cruz começará a trabalhar “o mandato do povo”. De acordo com ele, o órgão já aprovou a lei eleitoral para escolha, por voto popular, de parlamentares, vice-governadores e corregedores. O prefeito afirmou que a convocação para as eleições será lançada na próxima quinta-feira (14), “porque isso é autonomia, democracia participativa real e é uma forma de levar o poder de decisão às pessoas”. No entanto, o governo central não reconhece a assembléia, que iniciou a greve de fome realizada nos dias antes do referendo.
O prefeito disse que vai implementar um fundo para atender as necessidades de alguns setores sociais, além de criar um organismo de segurança próprio, com a formação de uma polícia departamental, à margem da Polícia Nacional.
Ele também assinalou que outra prioridade é o controle, a fiscalização e arrecadação dos recursos do departamento. A decisão apóia a tomada de impostos nacionais na capital cruzenha. “Estamos impulsionando a criação da agenda tributário departamental, para contar com uma entidade que defenda nossos recursos de forma eficiente e transparente, que permitirá a execução de um fundo solidário de apoio a outros departamentos”, disse.
O prefeito do departamento de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, por sua vez, teve seu mandato revogado, de acordo com os dados preliminares. No entanto, ele afirmou ontem à noite que vai continuar no cargo e desafiou o presidente Evo Morales a designar outra autoridade para o substituir.
“Eu continuo sendo o prefeito de Cochabamba, quero ver Evo Morales, em um retrocesso da democracia, escolher a dedo um prefeito”, disse Reyes Villa.
De acordo com o prefeito, o governo Morales fez “grandes investimentos” para tirá-lo da Prefeitura de Cochabamba. Ele garantiu que a convocatória para o referendo foi ilegal e anunciou que vai continuar a batalha legal, pois disse que alguém deve “estar defendendo a democracia, e esse alguém sou eu”.
Já o agora ex-prefeito do departamento de La Paz, José Luiz Paredes, aceitou a derrota no referendo, mas advertiu que os resultados mostram uma acentuada polarização nacional. “Sempre apostei na unidade, tentei aproximar o governo e a 'meia lua' [formada por quatro estados Beni, Pando Tarija e Santa Cruz], mas lamentavelmente suas posições são irreconciliáveis”, afirmou.
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