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Brasília - O juiz Fausto Martin De Sanctis, responsável pelo
processo que apura o esquema de corrupção que seria comandado pelo
banqueiro Daniel Dantas, defendeu penas mais duras para crimes de
colarinho branco.
“Para o crime de colarinho branco a punição é branda,
diante de nossa nova realidade. Quando o Código Penal foi alterado para
substituir a pena privativa de liberdade por privativa de direito era
possível substituir apenas um ano, hoje, pode-se substituir quatro
anos”, ressaltou o delegado.
“Quase todos os delitos de colarinho branco, senão
todos, estão sujeitos à substituição da pena privativa de liberdade por
privativa de direito”, completou o juiz, ao falar hoje(12) na
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas, da
Câmara dos Deputados.
De Sanctis protestou contra os deputados que acusaram
o Judiciário de ser o Poder “mais fechado” da República, idéia
defendida pelo deputado Domingos Dutra (PT-MA). “Não sei por que os
deputados acreditam que Poder Judiciário é mais fechado. Se há uma
decisão, ela pode ser contestada por meio de recursos”, disse o
juiz.
O juiz defendeu ainda a adoção da condição de transitado em julgado para as decisões tomadas na Justiça de segundo grau. “No Brasil não há o transitado em julgado. De 150 sentenças, só três foram à execução de pena. Dessas três
execuções, duas foram agraciadas por habeas corpus. No
momento em que houve o trânsito em julgado e se ia dar o trânsito,
ocorreu o habeas corpus trancando a execução da pena”, explicou o juiz.
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