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Brasília - Índios de
Roraima puderam hoje (12), pela primeira vez segundo eles, expor argumentos em defesa da demarcação
da Terra Índigena Raposa Serra do Sol (RR) em área contínua, na Câmara dos Deputados.
Também participaram da audiência promovida pela
Comissão de Legislação Participativa
representantes do Ministério Público, do governo
federal e de entidades da sociedade civil que apóiam a causa
indigenista.
No próximo dia 27, o Supremo Tribunal Federal (STF)
julgará ações que contestam a demarcação
da área de 1,7 milhão de hectares e a obrigatoriedade da saída dos
agricultores brancos que mantêm propriedades
produtivas.
“Queremos que nos
respeitem. Somos os primeiros habitantes do Brasil. Os arrozeiros
poluem o Rio Surumu e provocam a morte de animais. O avanço da
monocultura gera impactos ambientais como o desmatamento e a
contaminação das águas”, afirmou o macuxi
Dejacir de Souza, um dos coordenadores do Conselho Indígena de
Roraima (CIR), em exposição que abriu a audiência.
O presidente da
comissão, deputado Adão Pretto (RS), admitiu ter sido
proposital a ausência de convidados contrários à
demarcação contínua de Raposa Serra do Sol.
“Aqui na Casa já
saíram várias audiências em outras comissões
para debater este tema e só falou quem é contra a
demarcação. Então nós realizamos este
debate com as pessoas que defendem os direitos dos índios. Foi
a primeira vez que os índios vieram falar sobre o que eles estão
sentindo”, argumentou Pretto.
O coordenador geral de
identificação e delimitação de Terras
Indígenas da Fundação Nacional do Índio
(Funai), Paulo Santilli, ressaltou que os índios possuem um
modo de vida tradicional e peculiar a ser protegido por razões
antropológicas e também por determinação
constitucional.
“Seria uma grande
injustiça o Estado brasileiro negar esse direito dos índios
à sua preservação e reprodução
cívico-cultural”, disse Santilli.
“Pedimos aos juristas
brasileiros a humildade de ouvir quem conhece e entende do assunto. A
matriz da demarcação é etno-antropológica”,
reforçou o consultor jurídico do Ministério da
Justiça, Rafael Favetti.
O representante do
Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Saulo Feitosa,
atribuiu as críticas às demarcações de
terras indígenas a setores
produtivos como o agronegócio e a mineração,
definidos por ele como “inimigos históricos” dos índios.
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