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Brasília - O ministro das
Cidades, Márcio Fortes, disse hoje (12) que a redução
do déficit habitacional exige empenho dos diferentes níveis
de governo (União, estados e municípios), do
Legislativo e de segmentos organizados da sociedade. “A
palavra-chave é parceria”, afirmou o ministro, ao participar
do Colóquio sobre Habitação de Interesse Social,
realizado pela Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) da
Câmara dos Deputados.
Fortes destacou os avanços do
programa Pró-Moradia, destinado a famílias com renda
mensal de até três salários mínimos, que
estava paralisado e foi retomado em 2003. De lá para cá,
disse ele, o Ministério das Cidades, em articulação
com a Caixa Econômica Federal, conseguiu fazer com que muitos
governos municipais e estaduais se engajassem no esforço para
redução do déficit habitacional no país,
que gira em torno de 8 milhões de moradias, de acordo com
estimativa da Fundação João Pinheiro, com base
em números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
A secretária nacional de
Habitação, Inês Magalhães, também
apontou destacou esse engajamento, ao afirmar que mais de 5 mil dos
5.564 municípios brasileiros já aderiram ao Sistema
Nacional de Habitação de Interesse Social, que visa a
atender parte significativa da demanda de 28 milhões de
habitações nos próximos 15 anos. Ela informou
que, por isso, sua equipe elabora um Plano Nacional de Habitação
(PlanHab) que será apresentado ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva ainda neste mês.
Inês Magalhães defendeu
a adoção de políticas públicas estáveis,
além de recursos permanentes para financiar a aquisição
de moradias, para que o déficit habitacional seja superado.
Como mais de 90% da demanda por casa própria é de
famílias de baixa renda, as ações de governo têm
se concentrado no atendimento desse público, principalmente
por intermédio da Caixa, que partiu da aplicação
de R$ 5 bilhões, em 2003, para a projeção de R$
24 bilhões neste ano, o que representa expansão de 380%
no período.
Realizado no Auditório Nereu
Ramos, da Câmara dos Deputados, o encontro reuniu também
representantes da inciativa privada com o objetivo de discutir
propostas para aumentar os investimentos no setor. “A idéia
é trazer mais luzes para o debate e aproveitar o momento
favorável, em que o mercado está aquecido”, disse o
presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura
e Indústrias de Base, Paulo Godoy.
Também secretário-executivo
do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Godoy
destacou a “necessidade de todos ajudarem o país a encontrar
formas de promover justiça social no país – e uma das
carências mais gritantes é a questão da moradia.
Além disso, temos um dos piores indicadores, entre os países
em desenvolvimento, também quanto à falta de
saneamento.”
Já o presidente da Câmara
Brasileira da Indústria da Construção, Paulo
Safady Simão, lembrou que a falta de moradia digna concorre
para deteriorar a organização urbana, com mais
violência e más condições de saúde,
saneamento, educação e desestruturação
familiar. Para ele, investir na casa própria para populações
de baixa renda “significa também fortalecer a unidade
familiar”.
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