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Curitiba - O
secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda, Bernard Appy, disse hoje(12), em Curitiba, que o momento
é oportuno para a reforma tributária porque o
crescimento econômico facilita o fechamento de uma equação
fiscal com custos que a União tem condições de
assumir, o que não acontecia no passado.
“Quando
se discutia a reforma, o risco era aumentar a carga tributária.
Hoje é possível discutir com redução de
carga tributária.”, disse Appy. Segundo ele, o projeto que
o governo enviou para o Congresso Nacional tem o objetivo de
corrigir distorções do sistema tributário
brasileiro, criando condições para que a economia
possa crescer.
“Existe um parâmetro técnico que
facilita a aprovação que não existia no
passado. Ainda não é a reforma ideal do ponto de vista
teórico, mas é a melhor reforma possível do
ponto de vista técnico, com viabilidade política, o que
é fundamental. Estamos tentando fazer uma reforma que
corrige 90% dos problemas causados pelos tributos indiretos do
país”, disse o secretário de Política
Econômica aos participantes da 28ª Convenção
Anual da Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e
Distribuidores), que será realizada de hoje (12) até
quinta-feira, (14), no Expotrade, em Curitiba.
Ele lembrou
que o Brasil tem uma estrutura tributária extremamente
complexa, pelo grande número de tributos e a quantidade de
obrigações acessórias que esbarram nas
diferenças de legislação. Um estudo do Banco
Mundial mostra o Brasil como recordista mundial em tempo gasto pelas
empresas para cumprir com suas obrigações tributárias,
o que, segundo Appy, tem um custo que acaba sendo pago pelo setor
produtivo e pelos consumidores.
De acordo com o secretário,
a proposta apresentada pelo governo federal tem seis objetivos
principais: simplificar o sistema; acabar com a guerra fiscal entre
os estados; corrigir as distorções na estrutura que
prejudicam a eficiência econômica; avançar na
desoneração tributária; criar uma política
de desenvolvimento regional mais eficiente; e aprimorar a qualidade
das relações federativas. Ele explicou detalhadamente
aos participantes cada uma dessas propostas, que estão no
projeto que deve ser votado pela Câmara logo após as
eleições municipais.
Segundo Appy, a guerra de
incentivos fiscais promovida pelos estados para atrair empresas é
um dos problemas mais sérios. Trata-se, assinalou, de uma
prática ilegal, mas que tornou-se corriqueira, gerando
“anarquia tributária” e insegurança entre as
empresas, o que reduz o nível de investimento no país.
Ele
lembrou que, ultimamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem tomado
decisões contrárias aos incentivos gerados pela guerra
fiscal, tornando nulas leis estaduais de incentivo. “Defendemos um
período longo de transição para as empresas se
adequarem às mudanças, período que o governo se
compromete a compensar, por meio de repasses federais, possíveis
perdas dos municípios”.
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