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Brasília - O governo
oficializou a flexibilização das regras de acesso a
recursos da biodiversidade em unidades de conservação
federais para pesquisa científica. A norma, que consta em portaria do
Ministério do Meio Ambiente, reestrutura o Sistema de
Autorização e Informação em
Biodiversidade (Sisbio) e permite que as autorizações
para pesquisa sejam emitidas por instituições
científicas, como universidades.
O
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio) assinará termos de compromisso com essas entidades
para transferir a aprovação de pesquisas, o que deverá
reduzir a burocracia para estudos com uso da biodiversidade, o que
inclui plantas medicinais. As instituições emitirão
as licenças e informarão ao órgão
ambiental sobre as pesquisas em andamento, sendo “co-responsáveis”
pela pesquisa.
A
portaria também institui um Comitê de Assessoramento
Técnico, que subsidiará as decisões do ICMBio
na aprovação prévia de autorizações
para atividades como coleta e transporte de material biológico
e captura ou marcação de animais silvestres, além
de propor critérios de concessão de licenças e
de fiscalização, por exemplo.
A nova
regra atende pedido da comunidade científica, que sempre
apontou a burocracia como um entrave à realização
das pesquisas. Representantes da Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência (SBPC) estiveram com o ministro do Meio
Ambiente, Carlos Minc, no último dia 5 para negociar as
mudanças na legislação.
“Vemos
a portaria como um avanço bastante positivo, e agora queremos
testá-la. Na teoria ficou muito bom, queremos colocar em
prática”, apontou a vice-presidente da SPBC, a bióloga
Helena Nader.
A
cientista lembrou que, além da portaria do MMA publicada ontem
(11) no Diário Oficial da União, há
outras questões relativas a pesquisa com uso da biodiversidade
que só poderão ser desburocratizadas por meio do
anteprojeto de lei – em tramitação da Casa Civil –
que irá substituir a Medida Provisória 2.186/2001, que
atualmente regula o tema.
“A
portaria vai ser um grande teste. O anteprojeto regulamenta outros
aspectos, em relação à legislação
e ao acesso ao patrimônio genético, por exemplo. O
ministro [Carlos Minc] disse que pretende enxugar, reduzir os
detalhes; vamos acompanhar. O que a comunidade científica quer é
menos lentidão e menos entrave para as pesquisas, enquanto a
biopirataria corre solta”, ponderou Helena Nader.
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