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Brasília - O grupo
responsável pela construção da Usina
Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, vai tentar
convencer o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) a conceder uma licença de
instalação específica para o canteiro de obras,
para permitir que a construção da usina comece em
setembro, como programado.
Se perder
esse prazo, a obra só poderá ter início em abril, quando a
vazão do rio diminuir novamente, e o prazo de geração
de energia, previsto para dezembro de 2011, deverá atrasar em
cerca de quatro meses. O contrato de concessão para a Usina de
Jirau foi assinado hoje (12), no Palácio do Planalto.
A
previsão do Ibama para conceder a licença de instalação
de Jirau é de 90 dias a partir de hoje. “Esse é um prazo que fecha a
janela hidrológica. Estamos mostrando que entendemos que é
possível sair uma licença específica para a
instalação do canteiro”, afirmou o
presidente da Energia Sustentável do Brasil, Victor Paranhos. O consórcio é o responsável
pelas obras da usina. O Ibama confirma que já recebeu o pedido da licença específica para o canteiro de obras e esclarece que não existe uma legislação que proíba a concessão. A assessoria do instituto informou que o procedimento já foi adotado anteriormente, mas nunca para uma hiderlétrica.
Além
da questão ambiental, a empresa pode ter que superar possíveis
problemas com o grupo liderado pela Odebrecht, que perdeu a disputa
pelo leilão de Jirau, e pode questionar na Justiça as
alterações no projeto apresentadas pelos vencedores.
Paranhos garantiu que a Energia Sustentável não quer
briga e está pronta para conversar com a Odebrecht. “Minha
mãe falava que, quando um não quer, dois não
brigam. Nós não queremos, nunca brigamos, nunca
atacamos ninguém”, disse Paranhos.
Uma das
mudanças previstas é a da localização da usina, que ficaria 9,2 quilômetros
distante do ponto previsto nos estudos de impacto ambiental. Paranhos
garantiu que a nova proposta apresentada é melhor, dos pontos de
vista ambiental, social e econômico. O novo projeto ainda terá
que ser aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel).
Paranhos também destacou a necessidade de os dois grupos
trabalharem juntos para minimizar os impactos ambientais das duas
obras. “A gente não vai poder pintar cada mosquito e definir
qual é de Jirau, qual é de Santo Antônio. E os
peixes não têm passaporte. O mesmo bagre que tem que
subir no mecanismo de transposição de Santo Antônio
tem que subir no mecanismo de Jirau”, disse ele.
O
ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acredita que os
dois grupos cheguem a um consenso ainda nesta semana, quando
haverá uma reunião em Brasília, mediada por ele.
“Vou presidir essa reunião final deles para que o
entendimento seja selado definitivamente”, disse Lobão, que não
descartou a possibilidade de o governo assumir as obras, no caso de a
briga parar na Justiça. “O governo saberá o que
fazer. O fato é que as obras começarão dentro do
prazo.”
Paranhos
também disse hoje que tomou conhecimento de partes de um
dossiê, que teria sido elaborado pela Odebrecht, com
informações confidenciais da Energia Sustentável.
Segundo ele, o documento continha um cronograma detalhado das obras e
uma proposta comercial de uma fabricante de turbinas ao consórcio.
“Eu não
sei como foram parar lá, não sei se é espionagem
industrial, mas digo que estão lá, e são
documentos importantes e confidenciais.” De acordo com Paranhos, o
dossiê também traz informações sobre a
intenção da própria Odebrecht de mudar o local
de construção da Usina de Jirau. “Eles tinham
alternativas bem mais baratas, só não dizem onde seria
o novo eixo. Mas eles estudaram a Ilha do Padre, conheciam aquela
região”, disse Paranhos, referindo-se ao novo local escolhido para a
usina.
Ele ressaltou que sua empresa não irá tomar nenhuma atitude
sobre o caso. Apenas “tomará mais cuidado” com as
informações. A Odebrecht ainda não se manifestou
oficialmente sobre o assunto.
Reportagem ampliada.
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